Profissionalizar para lucrar
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Em meio à necessidade, surge a união. Foi este o caminho encontrado por agricultores londrinenses que se uniram com o objetivo de tornar suas propriedades mais lucrativas. Adotaram a chamada gestão compartilhada que, em tempo de vacas gordas, torna-se uma ferramenta ainda mais importante na profissionalização da atividade agrícola.
Segundo o agropecuarista Ricardo Gomes de Araújo, aprender a trabalhar os fatores de produção com mais eficiência é peça fundamental para o agricultor se tornar um gerente competente. Por fatores de produção entende-se terra, máquinas, implementos, insumos, tecnologia, mão-de-obra e informação.
Para a gestão compartilhada, a informação é a variável mais importante, já que é a coleta precisa de dados que permite ao grupo comparar resultados e propor soluções. ''A gestão é um sistema organizado, com metodologia própria, e através da análise das informações compartilhadas é possível determinar e avaliar os resultados técnicos e econômicos de uma empresa rural e a eficácia do empresário'', explicou Araújo.
É fundamental para a formação dos grupos que os produtores partilhem as mesmas idéias e construam um banco de dados para realizar comparações e planejamento. Dentro da experiência dos grupos, o individualismo é deixado de lado e as propriedades são abertas ao conhecimento de todos.
A maior dificuldade enfrentada pelo agricultor, no entanto, é discutir com os outros o seu modo de administrar a terra. ''Por isso ele só deve se expôr a pessoas afins. Neste processo, ele aprende a se superar e a ser um verdadeiro empresário, deixando de lado a mentalidade medíocre do achismo'', argumentou Araújo.
Grupo Londrina O agropecuarista adotou a gestão compartilhada há pelo menos 15 anos e já participa de seu segundo grupo, formado, em 2002, junto a outros 11 produtores da região de Londrina. O Grupo Londrina soma, hoje, 11 mil ha de terra, localizados no norte e noroeste do Paraná.
O grupo conta com o assessoramento técnico de uma empresa especializada, responsável também pela formação do banco de dados. ''As propriedades e os produtores tiveram de se adaptar e só assim foi possível adotar a mesma forma de quantificar resultados para compará-los'', afirmou o agropecuarista, ressaltando que de todos os participantes, apenas cinco já praticavam a coleta de dados, o restante teve de iniciar do zero.
Araújo explica que a troca de informações entre as propriedade é fundamental para a gestão das mesmas, já que as estatísticas apontadas por orgãos governamentais nem sempre servem para mensurar as peculiaridades das fazendas. ''A sobrevivência da empresa rural depende muito mais da criatividade e inteligência de seu administrador do que de qualquer outro fator'', declarou.
Durante o ano, o grupo realiza um mínimo de seis reuniões antes das safras de inverno e verão. Com os indicadores de performance, os produtores analisam os dados passados, diagnosticam problemas e planejam atividades para o ano seguinte. Dias de campo ainda incrementam as trocas de experiência.
''Efetuamos compras de insumos e até de máquinas em conjunto'', comentou Araújo.


