Em tempos de aftosa, desvalorização do dólar perante o real e falta de política agrícola por parte do governo, a palavra de ordem é cortar gastos. Mas crise pode ser sinônimo de oportunidade quando a visão do negócio é otimista. Agropecuaristas mais ousados têm preferido investir na profissionalização da atividade para manter a rentabilidade. Isto significa tecnificar a produção.
Este também foi o discurso defendido pelas empresas do setor, que patrocinaram o Road Show Pecuário para Jornalistas, realizado de 6 a 9 de março, num circuito pelo interior de São Paulo. A iniciativa reuniu, pelo terceiro ano consecutivo, mais de 30 profissionais de 10 estados que rodaram 1,7 mil quilômetros conhecendo a cadeia da carne, do pasto ao consumidor.
Conceitos de melhoramento genético e precocidade reprodutiva e de abate foram levantados durante o evento, que teve como destaque a sanidade animal, discutida durante uma visita à maior fábrica de vacina contra febre aftosa do mundo. Com sede em Paulínia (SP), a Merial tem capacidade para produzir 200 milhões de doses por ano e responde por 45% do mercado brasileiro da vacina, estimado em 380 milhões de doses para a campanha deste ano.
Segundo Emílio Salani, diretor técnico da Merial, no ano passado foram manipulados 350 quilos de vírus na produção de 1 milhão de litros de vacina contra aftosa na fábrica de Paulínia.
Com cerca de 50 funcionários, a unidade conta com um laboratório biosseguro, onde é controlado o acesso de pessoas e materiais com o processo de descontaminação química. ''O interior do laboratório tem pressão negativa para impedir a saída de ar para o ambiente externo e filtros capazes de reter quase 100% das partículas menores que 0,3 micra'', explica.
Salani, que também preside o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), calcula que a indústria veterinária brasileira já comercializou cerca de 17 milhões de doses de vacinas contra a aftosa este ano. O principal destino das vacinas até agora foi o Rio Grande do Sul, que adquiriu 4,8 milhões de doses para a campanha de vacinação realizada em janeiro. Mato Grosso foi o segundo maior comprador, com 3,5 milhões de doses utilizadas na primeira etapa de vacinação, em fevereiro.
Segundo o presidente do Sindan, o estoque atual supera 60 milhões de doses, atendendo a margem de segurança exigida pelo Ministério da Agricultura. ''Mais de 260 milhões de doses já passaram pela central de selagem este ano e estão aptas à comercialização'', finaliza.

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