Profissionalização para driblar a crise
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sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Mariana Guerin <br>Reportagem Local 
Há 12 anos participando de eventos tecnológicos, o produtor Cláudio Vicente D'Agostini, de Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina), duplicou seu capital. A façanha, conta ele, é fruto da profissionalização da atividade rural. ''Me especializei em grãos, obtive sucesso e não pretendo diversificar'', declara. Ele é proprietário do sítio que abriga os campos experimentais da Expotécnica, mostra tecnológica promovida pela Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Embrapa em parceria com empresas do setor. Realizada nos dias 4 e 5 de agosto, este ano a 12 edição do evento reuniu mais de 3 mil produtores.
Em um momento tão difícil para a agricultura nacional, D'Agostini é exemplo de afinidade com o campo. Caminhoneiro aposentado, ele decidiu se dedicar a agricultura no final da década de 1970, quando mudou-se para Sabáudia com a família. ''É um agricultor líder na região onde mora e referência no Estado'', aponta Nelson Harger, implementador regional do Projeto Grãos da Emater.
No início, a propriedade de D'Agostini contava com apenas 11 alqueires. ''Construi uma casinha modesta para a família e outra para um funcionário e comecei a tocar a terra'', relembra. Hoje, o sítio São José já conta com 80 alqueires, totalmente cultivados com grãos. O produtor ainda arrenda outros 40 alqueires e presta serviços em propriedades vizinhas. A área destinada à Expotécnica, diz ele, é de sete alqueires.
Bem capacitado e estruturado, o agricultor obtém grandes produtividades de soja mesmo em tempos de crise. A produção média por alqueire no sítio São José é de 104 sacas de soja e em anos bons sobre para até 150 sacas. ''O agricultor precisa estar preparado para aguentar os tempos difíceis''.
Segundo Eduardo Vercesi, gerente regional da Emater, o sucesso de D'Agostini reflete o desenvolvimento alcançado pela produção agropecuária da região desde a introdução do sistema de plantio direto. ''Há 12 anos, Sabáudia era uma região periférica. Hoje é referência nacional porque a Expotécnica é considerada o maior evento em propriedade rural do País'', assinala.
Em dois dias de mostra, os produtores têm acesso a vitrines de tecnologia para lavouras de inverno, projeções para o verão e dinâmicas de máquinas tanto para a agricultura familiar quanto grandes lançamentos. Opções de diversificação da produção e cobertura de solo também são demonstradas pelas instituições de pesquisa. ''O produtor busca alternativas porque quer continuar produzindo mesmo na diversidade'', finaliza o gerente.


