Profissionalização gera bonanças no campo
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sexta-feira, 21 de março de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Êxito na atividade agropecuária é a meta da maioria dos produtores. Mas o sucesso dos empreendimentos atualmente depende de ações e iniciativas que vão além de fazer o plantio, manejar a cultura e colher. Num mundo competitivo, onde oscilações cambiais e questões ambientais e climáticas têm influência decisiva, o produtor deve se cercar e se apegar a instrumentos que garantam seus rendimentos e seu futuro na atividade.
É idéia corrente que o agricultor brasileiro se comporta de acordo com o momento. Durantes as crises, desdobra-se para enfrentar problemas e pagar dívidas; em épocas de bonança, é tomado por um entusiasmo que muitas vezes acaba gerando consequências graves, como endividamento e perdas.
A profissionalização da agricultura é palavra de ordem. Tecnologias, informações e orientações são aliadas do produtor, reconhecidamente eficazes. Ao lado de todo o aparato, o agricultor deve agir com cautela, tomando atitudes acertadas e bem embasadas.
O setor agrícola vive um desses momentos de otimismo. Boa produção e bons preços provocam entusiasmo e mais uma vez desafiam os produtores a tomar decisões. Antigas lições devem embasar as ações de agora que podem ser determinantes para o êxito do agricultor.
''É o momento do agricultor se acertar, e fazer um planejamento a longo prazo'', afirma o agrônomo Oswaldo Calzavara, especialista em planejamento e desenvolvimento rural. Segundo ele, o agricultor brasileiro nunca pensou em desenvolver sua atividade de forma organizada e planejada.
''Agora, ele não pode gastar de qualquer forma e se atolar em dívidas novamente'', diz. Em primeiro lugar, orienta, deve saldar as dívidas pendentes. ''É preciso prudência, porque ele pode tanto navegar bem ou se afundar'', alerta. Para ele, apesar de ter passado por alguma evolução, a agricultura ''ainda é um segmento mais afobado''.
O bom resultado da safra abre uma importante oportunidade ao produtor, segundo Calzavara. ''É o momento que pode corrigir os pontos de estrangulamento do seu negócio, investindo o dinheiro adequadamente'', ensina. O produtor pode fazer investimentos visando diminuir os riscos inerentes ao negócio. Tudo dentro do princípio do planejamento estratégico.
O especialista cita riscos tecnológicos, ambientais e climáticos para os quais já existem inúmeras soluções. Segundo ele, é preciso buscar segurança, optando por lucros menores, porém estáveis.
O plantio direto é uma das tecnologias que possibilitaram mudanças na agricultura brasileira, abrindo caminho para consciência e práticas conservacionistas. ''Essa tecnologia (plantio direto) vem ao encontro da filosofia do planejamento estratégico'', afirma Calzavara.


