Buscar apenas a sobrevivência do agricultor já não basta numa economia globalizada e num mercado competitivo como o que vivemos hoje. A proposta foi defendida esta semana pelo delegado federal da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra, no 3º Seminário Estadual de Política Agrícola promovido pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep).
Segundo Bezerra, além de profissionalizar o pequeno proprietário e o trabalhador rural, é preciso garantir mecanismos de investimentos na propriedade e mudar o hábito das administrações municipais que nem sempre dão a devida atenção para a agricultura.
Mudança de hábito De acordo com o delegado do Ministério da Agricultura, é preciso mudar o hábito dos prefeitos que têm em suas administrações secretarias de Saúde, Educação e Segurança, mas nem sempre têm ao menos um departamento para cuidar da agricultura.
Bezerra destaca como positiva no Paraná a criação dos conselhos municipais de desenvolvimento rural, instituídos através de um novo modelo de extensão rural que está sendo desenvolvido pela Emater. Neste trabalho, todas as entidades representativas da comunidade rural participam da elaboração de um plano de desenvolvimento através do Conselho. O plano parte sempre das necessidades dos municípios e das potencialidades locais.
Seguindo na mesma linha, o Secretário da Agricultura, Hermas Brandão, lembrou que 90% dos prefeitos eleitos no Paraná pautaram suas campanhas na agricultura e que quando assumirem terão que dar prioridade ao tema. Segundo ele, os planos de desenvolvimento rural poderão servir de base para o trabalho dos prefeitos.
‘‘Até há pouco tempo no Estado era feito um programa de agricultura que tinha que servir para todos os municípios. Agora, no entanto, quem decide o que vai ser feito nesta área é o próprio município através de suas lideranças’’, destaca Brandão.
Mercados novos Para o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Leite Dias, que participou do seminário da Fetaep, o grande desafio do agricultor para enfrentar um mercado mais competitivo é investir em novos produtos e na produção em escala e com qualidade.
‘‘Para conquistar novos mercados é preciso que um grande número de agricultores produza o mesmo produto com o mesmo tipo e a mesma qualidade’’, observa. Dias sugere ainda que os agricultores invistam na fruticultura e na horticultura como forma de buscar novos mercados.
‘‘Produtos tradicionais, como grãos e algodão, já não têm mais o mesmo valor que tinham há cerca de 15 anos’’, lembra Dias. De acordo com ele, praticamente todos os países do mundo são produtores de grãos e geram excedente destes produtos praticamente todos os anos.
Para a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), investir na fruticultura é uma opção interessante, mas exige linhas de crédito de longo prazo e a juros baixos. ‘‘Além disso, é preciso que o País invista em pesquisa para melhorar a tecnologia de produção’’, defende Carlos Augusto Albuquerque, assessor da Federação.
De acordo com ele, as frutas brasileiras são de baixa qualidade se comparadas com as de outros países. ‘‘O Brasil é um dos maiores produtores de banana do mundo, mas a falta de cuidado na hora da colheita compromete a qualidade e inviabiliza a exportação’’, observa Albuquerque.
Além de investir em novos produtos, o Brasil tem que trabalhar no sentido de eliminar as restrições impostas aos nossos produtos no mercado internacional, defende o representante da Faep. Para ele, é preciso resolver os problemas sanitários dos rebanhos e buscar a produção de carnes de melhor qualidade e mais saudáveis através da produção de novilhos precoces. A Faep considera fundamental também a instituição de tarifas compensatórias para neutralizar os subsídios dados aos produtos pelos demais países. ‘‘Sem a tarifação compensatória os produtos nacionais dificilmente terão condições de competir com os importados’’, alerta o representante da Faep.

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