Sempre que se celebra a data de uma categoria profissional, pergunta-se: O que há a comemorar? Nesta data, ao analisarmos a agricultura, temos que aceitar o fato de que se tornou uma atividade altamente profissional. A globalização da economia e os problemas sanitários ocorridos nos últimos anos estabeleceram novas exigências ao setor, como a rastreabilidade, a proteção do meio ambiente e a certificação dos produtos. Estas são condições para o acesso aos mercados interno e externo.
Como atender a essas exigências? Através da profissionalização da atividade agrícola, que permite ao produtor utilizar novas tecnologias, aumentar a produtividade e reduzir custos, adequando-se às exigências dos mercados. As novas exigências não poupam nem os pequenos, geralmente mais carentes em recursos e conhecimentos e, por isso, mais longe da profissionalização.
Felizmente, iniciativas de instituições públicas e privadas têm permitido que esses produtores permaneçam no mercado. Muitos se integraram a empreendimentos cooperativos ou de integração que agregam valor à produção.
Instituições como Iapar, Coodetec e Embrapa (pesquisa); Senar e Sescoop (de formação); Emater e cooperativas (assistência técnica), vêm permitindo que esses agricultores tenham acesso às novas tecnologias, ao conhecimento e às novas oportunidades oferecidas pelo mercado. Basta circular pelos municípios do Interior do Paraná para conhecer as muitas experiências exitosas das propriedades familiares em projetos de reconversão de atividades.
Por isso, mesmo reconhecendo que ainda há muito por fazer pelo agricultor, afirmamos que ele não está desamparado.
O essencial é que todos tenham acesso aos treinamentos, à assistência técnica e ao crédito rural para que se profissionalizem. E que aos seus filhos seja garantida educação de primeira qualidade para que se tornem cidadãos capazes de executar novos empreendimentos no campo ou, se preferirem, obter empregos remuneradores.
Por fim, é importante que a sociedade brasileira reconheça que o agronegócio foi responsável por seguidos superávits comerciais graças à dedicação de milhares de agricultores, que se superaram na ação de produzir alimentos para a população brasileira e para a exportação.
(*) Presidente do Sistema Ocepar

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