Profissionalismo garante competitividade
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sexta-feira, 01 de julho de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Produção atendendo a exigentes mercados consumidores, commodities sendo beneficiadas, preços competitivos, profissionalismo. Essas são algumas das características do cooperativismo brasileiro, enumera a professora do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Rossana Lott Rodrigues. Apesar do princípio do cooperativismo continuar sendo o mesmo - a união faz a força - com adoção de tecnologias, melhoria da qualidade dos produtos e eficiência produtiva as cooperativas tornaram-se fortes e competitivas no campo do agronegócio.
Rossana lembra que há cerca de 20 anos a administração das cooperativas estava nas mãos dos cooperados que, por vezes, não possuíam o preparo adequado para gestão do negócio. A partir da década de 80, as cooperativas passaram a ser administradas por pessoas especializadas. ''A cooperativa precisa ser gerida com qualidade para competir no mercado com as empresas não cooperativas'', afirma a professora, justificando a profissionalização.
Umas das grandes vantagens das cooperativas em relação às demais empresas que também industrializam produtos agropecuários está no fato de as primeiras terem acesso direto às matérias-primas, analisa Rossana. Dessa forma, como a cooperativa consegue acompanhar toda a produção, desde a matéria-prima até a industrialização, pode atender de modo mais fácil as exigências dos mercados consumidores.
Quanto aos benefícios para o cooperado, Rossana argumenta que a produtividade de produtores associados a cooperativas é cerca de 20% maior do que a dos não associados. Essa alta produtividade é reflexo do conjunto de serviços prestados, desde as orientações técnicas de quando e como plantar, disseminação de tecnologias, cursos e orientações como dias de campo que capacitam os cooperados a realizarem a produção. ''Eu vejo o produtor não associado como um produtor desgarrado e despreparado para enfrentar o mercado hoje. Atualmente, com a questão dos blocos econômicos e fusões, cada vez mais é a união que vai fazer a força'', analisa.
O trabalho das cooperativas também é fundamental na adoção da diversificação de culturas por parte dos produtores. ''Se o agricultor planta vários produtos nem ele e nem a cooperativa ficam sujeitos a problemas climáticos que podem gerar quebra de safras'', diz Rossana. Outro fato é que a diversificação gera mais renda no campo e evita o número de migrações de pessoas para as grandes cidades, acrescenta.
Rossana admite, porém, que o sistema tem pontos falhos. Uma das reclamações dos produtores, segundo ela, é o baixo retorno financeiro que alguns produtores conseguem em algumas situações. Ela explifica que, por vezes, os produtores desejam ter mais rendimentos em comparação com o volume e tipo de produtos entregues. Entranto, na opinião dela, o saldo do agricultor que torna-se um cooperado é positivo.
Outra questão que ela aponta como entrave na expansão do sistema cooperativo é a legislação atrasada. ''A legislação brasileira que trata das cooperativas é de 1971. Isso engessa a própria capacidade de ação das cooperativas. O grande presente que o cooperativismo brasileiro poderia ganhar é uma legislação mais moderna'', acredita. Os problemas principais a serem resolvidos são a tributação e as formas distribuir de crédito para as cooperativas.
Além desses entraves, completa, as cooperativas, como setor produtivo no geral, sofrem com problemas de logística, como situação das rodovias, portos e ferrovias.


