Mantido exclusivamente com recursos privados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) promoveu no Paraná uma visível transformação do perfil do agricultor e do trabalhador nos últimos dez anos. O produtor, enquanto dono da propriedade, passou a enxergá-la não apenas como meio de vida, mas como uma empresa que precisa ter opções diversificadas e dar lucro. E o trabalhador-empregado deixou de fazer serviços de forma empírica e passou atuar com maior conhecimento técnico, como um profissional.
Os números do Senar-PR, desde 1993, quando foi criado, são significativos: 557 mil agricultores e seus familiares já passaram pelos treinamentos. Hoje são oferecidos 157 cursos gratuitos nas áreas de agricultura, pecuária, reflorestamento, educação ambiental, geração de renda, artesanato, turismo rural, operação de máquinas e implementos, entre outros.
Todo esse trabalho só vem sendo possível graças à capilaridade dos sindicatos rurais filiados à Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) distribuídos por todo o Estado. No ano passado os cursos chegaram a 387 dos 399 municípios paranaenses. E a grande novidade, que permitiu o acesso de 27 mil novos lavradores aos cursos, foi a abertura do Senar também aos filiados da Fetaep, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado, a partir de 2004. Esse público tradicionalmente não era atendido por não serem donos de propriedades, apenas trabalhadores da lavoura. Com a inclusão desses lavradores ao programa, o número de alunos do Senar pulou de 84 mil em 2003 para 111 mil no ano passado.
''Essa aproximação entre FAEP e Fetaep foi a nossa grande conquista de 2004. Hoje, além dos filiados da Fetaep terem acesso aos nossos treinamentos, a federação dos trabalhadores está participando diretamente do Conselho de Administração do Senar'', afirma o superintendente do órgão no Paraná, Ronei Volpi. As duas entidades também se uniram em torno do programa que é a menina dos olhos do Senar: o Empreendedor Rural. Contando com o apoio do Sebrae, o programa surgiu em 2003 e formou até o final do ano passado 5.286 alunos.
Ser profissional Segundo Volpi, a principal meta do Empreendedor Rural é manter o produtor na atividade. ''Todo produtor, seja ele pequeno, médio ou grande, parceiro ou arrendatário, é um empresário. Ele está sujeito às leis de mercado e às inseguranças do mercado. Mas na maioria das vezes não tem consciência de pensar e agir como um empresário. Por isso criamos esse curso, no qual cada agricultor desenvolve um projeto para a sua propriedade e melhora sua condição de agir como empresário, aumentando inclusive sua auto-estima'', explica o superintendente.
Ronei Volpi enfatiza que hoje ''não há mais espaço para amadorismo''. ''Com a estabilidade dos preços e os custos elevados que temos, não dá mais para fazer besteira na agricultura, senão qualquer um quebra'', sentencia. Em sua visão, a profissionalização é que garantirá a permanência das famílias no campo. ''Queremos que o produtor e seus filhos fiquem na área rural por opção, porque estão bem na atividade. Não queremos ter amanhã ou depois um produtor rural frustrado, que só está no campo porque não conseguiu ir para a cidade. Queremos ter agricultores por convicção, que saibam que a atividade rural é tão nobre como todas as outras'', frisa ele.

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