Variedades europeias para vinificação são suscetíveis a todos os tipos de doenças no Brasil, dificultando e encarecendo o manejo
Variedades europeias para vinificação são suscetíveis a todos os tipos de doenças no Brasil, dificultando e encarecendo o manejo | Foto: Embrapa Uvas e Vinhos/Divulgação

Apesar de toda a tradição do Rio Grande do Sul na produção de vinhos finos, o estado próximo ao Paraná não tem vida fácil na comercialização deles. Afinal, a disputa com vinhos da América do Sul – dentro do Cone Sul – e também com os rótulos europeus, que entram no País com uma margem competitiva enorme, dificultam as vinícolas nacionais em ganhar mercado.

Na outra ponta da cadeia está o desafio do vitivinicultor em produzir uvas finas, mesmo no RS, que tem uma bagagem grande no assunto. De acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, Rodrigo Monteiro, as variedades europeias para vinificação são suscetíveis a todos os tipos de doenças no Brasil, o que deixa o manejo bem mais complexo. “Elas pegam todas as doenças: míldio, antracnose, botrytis... Hoje trabalhamos em nossa linha de pesquisa apenas com uvas híbridas, que não são viníferas, apenas para vinho de mesa.”

Essa sensibilidade faz com que o custo de produção seja diferenciado para as uvas finas, afinal, os tratamentos fitossanitários são complexos. Além disso, o sistema de condução utilizado para esse caso é o espaldeira, pelo qual a uva fica num local parecido com uma cerca. “A produção é bem menor do que no sistema latada. Além disso, fizemos um levantamento que não é economicamente viável produzir uvas viníferas para entregar a alguma vinícola para processar.”

Portanto, a melhor estratégia seria produzir o próprio vinho, o que demanda um alto investimento em equipamentos, manutenção da vinícola, registros, responsável técnico, ou seja, toda uma mobilização de capital, além de um conhecimento do mercado de vinhos muito grande. Ou seja, não é para aventureiros. “Uma das alternativas da Serra Gaúcha, por exemplo, foi partir para as indicações geográficas (IG), além do enoturismo. Algumas vinícolas exportam produtos, participam de feiras e ações do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).”

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