Em meio ao mar de soja transgênica que inundou o País, produzir a oleaginosa convencional acabou se tornando lucrativo. De acordo com o levantamento da Céleres, apenas 15,2% da soja produzida no Paraná é convencional, e ocupa uma área de 720 mil hectares.
Segundo o chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Amélio Dall'Agnol, não é tarefa fácil para o agricultor que busca comercializar tal produto. As chances da convencional acabar se misturando com a soja transgênica – em algum momento do processo ou comercialização – é muito grande. A logística é um dos principais desafios. "Você pode acabar misturando (os dois tipos) na colhedeira, no caminhão, no armazém é até no porto. Hoje, umas da estratégias utilizadas por estes produtores é alocar em contêineres na própria lavoura."
Normalmente, os produtores trabalham com o grão convencional e o transgênico na mesma propriedade. Se o intuito é vender a convencional é preciso manter as duas lavouras afastadas em pelo menos 10 metros uma da outra. "Diferentemente do milho, o cruzamento feito pelos insetos é muito difícil de acontecer na soja", afirma o especialista.
Dados de mercado apontam que a saca da soja convencional está sendo comercializada pelo menos R$ 5 acima do preço da transgênica atualmente. Dall'Agnol acredita que no mercado europeu o produto pode chegar a ser vendido R$ 20 mais caro.
Apesar de concordar que vender a soja convencional seja um nicho de mercado interessante, o representante da Embrapa Soja acredita que o caminho na área de produção de alimentos é a biotecnologia. "A biotecnologia vai fazer uma revolução como a informática e a comunicação fizeram. Ela é como um iceberg, no qual no momento estamos apenas vendo a ponta dele", prenuncia. (V.L.)

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