Produzir mudas exige cuidados
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Silvana Leão 
Maior ofertaViveiro da Prefeitura de Londrina, que está aumentando a capacidade de produção para um milhão de mudasA retomada do café no Paraná, através do sistema de plantio adensado, e os bons preços atingidos pelo produto no mercado internacional, têm provocado uma grande procura por mudas este ano. Na semana passada o governador Jaime Lerner lançou em Londrina um convênio com 188 municípios para produção de mudas subsidiadas, que deverão ser plantadas no ano que vem. Só em Londrina será produzido um milhão de mudas a mais, pelo convênio. Mesmo assim, ainda poderá faltar material de plantio, e muitos produtores deverão optar pela produção das próprias mudas.
Mas esta é uma opção que exige cuidados. Além de conhecer a cultura, é preciso estar atento à rigorosa legislação que rege o assunto (ver box nesta página) e contar com o acompanhamento constante de um engenheiro agrônomo. Adquirir apenas sementes certificadas e materiais para confecção do substrato - onde são desenvolvidas as mudas - de boa procedência são outras exigências.
O substrato é composto por esterco de gado, terra estéril e adubo químico. Na hora de escolher a área onde recolher o esterco, o produtor deve prestar atenção se não existem nas redondezas pastos infestados por plantas daninhas (principalmente tiririca e grama-seda) e com resíduos de herbicidas, recomenda o agrônomo Jefferson Costa Hernandez, responsável técnico pelo viveiro de mudas de café da Prefeitura de Londrina, que está aumentando sua capacidade de produção de 400 mil para um milhão de mudas.
Milton DóriaO produtor Alfeu Bessa, que comprou três mil mudas no viveiro municipal: se gear, é só fazer o enterrio
Segundo Hernandez, a terra utilizada nesta primeira etapa do plantio não pode ser de áreas já cultivadas anteriormente, principalmente pelo perigo de infestação por nematóides.
A semeaduraExistem duas formas de semeadura para obtenção da muda de café: na direta as sementes são colocadas diretamente nos saquinhos; na indireta, a semeadura é feita em um germinador de areia, para posterior replantio. O trabalho de replantio deve ser feito quando as plantas estiverem no estágio chamado de palito de fósforo (50 dias, aproximadamente) por pessoa treinada, para que não haja perigo de entortar o peão, recomenda Hernandez.
Ele lembra que os viveiros comerciais são submetidos a análises, por amostragem (no mínimo 20% de todos os canteiros existentes), pelos fiscais da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, para detectar a presença de nematóide ou pião torto. No primeiro caso a praga deve estar presente, de maneira dispersa, em mais de 20% dos canteiros, para que haja necessidade de destruição de todas as mudas.
Já o pião defeituoso será responsável pela destruição dos canteiros se for constatado em índice superior a 10%. As mesmas mudas devem ser utilizadas para os dois tipos de análise, na fase correspondente a três ou quatro pares de folhas.
AclimataçãoSegundo Jefferson Hernandez, é também no estágio em que se encontram com quatro pares de folhas que as novas plantas devem começar a ser mais expostas ao sol, com a retirada gradativa da cobertura do viveiro até que, 15 dias antes do plantio no campo, devem permanecer a pleno sol para adquirir a resistência necessária.
O plantio é outra etapa definitiva para o sucesso da cultura. Antes de mais nada, a área escolhida para abrigar o cafezal deve ser em local alto e não na face sul, de onde vêm os ventos fortes. Também aqui a análise de solo é fundamental para a correta recomendação de calagem e adubação. As covas devem ser preparadas cerca de dois meses antes de receber as mudas, aconselha o agrônomo.
O período recomendado para plantio de café vai de setembro a maio, quando a incidência de chuvas é maior. Este ano, segundo o pesquisador e líder do Programa Café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Armando Androcioli Filho, o plantio atrasou em função da seca dos últimos meses. Os produtores estão aproveitando as recentes chuvas para plantar cafezais que deveriam ter sido plantados em abril e maio. Quem está plantando agora deve ficar alerta para as previsões de geada e, se necessário, fazer o enterrio das mudas, que podem ficar encobertas com terra por até 10 dias. Trata-se de uma operação um pouco trabalhosa, mas que vale a pena, diz Androcioli.
O produtor Alfeu Bessa, que planta 14,5 hectares de café (5 ha no sistema adensado), adquiriu na semana passada três mil mudas no viveiro da Prefeitura - vai pagar com a primeira produção o correspondentes a duas sacas de café por milheiro - e pretendia buscar mais cinco mil em Faxinal. Produtor tradicional, foi um dos primeiros a testar a variedade Iapar 59 e é pioneiro na região no cultivo de café orgânico. Ele acha que não há problemas em plantar nesta época do ano: Se ameaçar gear, a gente enterra as mudas, afirma.
A pesquisa recomenda que o plantio do café seja feito em solo úmido, e o cafeicultor mais cuidadoso pode garantir a operação, molhando as mudas em seguida. Depois de um mês, ele deve percorrer a área e replantar os pés que morreram, para evitar falhas no cafezal.


