Hoje, a fruticultura representa em torno de 3% do Valor Bruto de Produção (VBP) do agronegócio paranaense, movimentando a economia dos 399 municípios do Estado. Em 2010, o VBP do setor somou R$ 900 milhões. Só os pomares de laranja representam em torno de 38% desse valor. A banana, cultivada principalmente no litoral e regiões de Andirá, Rio Bom e Novo Itacolomi ocupam o segundo lugar com 18%, seguido da tangerina com 12% do total do VBP.
Embora seja um valor inferior ao comparado às principais commodities agrícolas, como o milho e a soja, a fruticultura paranaense é um dos setores que mais gera empregos na zona rural. Para se ter uma ideia, um hectare de produção de frutas necessita de, no mínimo, três funcionários fixos, enquanto que no cultivo de grãos, não chega a uma pessoa por hectare. Em contrapartida, avalia Sérgio Carvalho, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a fruticultura é um dos setores que mais sofrem com a falta de mão de obra especializada, o que é um grande gargalo da atividade.
Carvalho afirma que o setor possui técnicos insuficientes para atender à expansão desse mercado. Além disso, observa que geralmente os pequenos produtores não possuem recursos suficientes para arcar com a contratação de profissionais qualificados. ''A fruticultura não admite amadorismo. Por esse motivo, é necessário incentivar o apoio técnico e a assistência rural por meio da Emater, por exemplo, para aqueles que não possuem condições de ter um engenheiro agrônomo na propriedade'', sublinha.
Outro gargalo que Carvalho aponta na fruticultura é a falta de uma logística consolidada. Segundo ele, produtores de citros do Oeste do Estado, por exemplo, sofrem com a precariedade do transporte, principalmente com o alto custo do frete. ''Se o preço do produto estiver baixo, os produtores ficam desesperados'', lamenta o pesquisador.
Contudo, afirma Carvalho, para o agricultor familiar a fruticultura é ainda uma atividade bem mais vantajosa. Isso porque os produtos geralmente são comercializados nas próprias regiões onde os frutos são produzidos. Carvalho orienta aqueles que queiram ou os que já estão na atividade que invistam em uma produção tecnificada, para que possam ser mais competitivos.
Alto investimento
Paulo Andrade, engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que colocar um pomar em plena produção requer tempo. Dependendo da cultura, a exemplo da laranja, as árvores só começam a dar frutos a partir do quarto ano. Ele afirma que quando a cultura está consolidada, há pomares que chegam a ficar em produção por cerca de 20 anos.
Para aqueles que querem entrar na atividade e não possuem recursos o suficiente para se manter até a primeira produção de laranja, Andrade recomenda o plantio consorciado. ''Dentro de um pomar de laranja, o produtor pode optar pelo consórcio com o milho e também o feijão'', afirma. Isso, garante o agrônomo, mantém a renda do produtor até a primeira produção do pomar.
Andrade explica que no primeiro ano, o custo de implantação de um pomar de laranja chega a custar em torno de R$ 7 mil por hectare. No segundo ano, o valor cai para R$ 3 mil. Já no terceiro, quando o fruticultor terá que refazer os tratos culturais, principalmente com a reposição de adubo, o valor gasto por hectare aumenta um pouco, passando para R$ 4,3 mil. ''Todos esses investimentos são realizados sem produção, por isso o consórcio é importante'', salienta.
Outra alternativa para aqueles que querem um retorno rápido é investir na produção de banana. A cultivar, segundo Andrade, tem um ciclo mais precoce do que a laranja, pois com 18 meses, o bananal já produz frutos. Entretanto, o custo de produção dessa fruta é ainda mais elevado, em torno de R$ 16 mil por hectare no primeiro ano e R$ 8 mil no segundo. (R.M.)

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