O mercado mundial de carne bovina é dominado por gigantes. Estados Unidos e Austrália, duas potências econômicas, representam cerca de 35% desse segmento estimado em 7 milhões de toneladas anuais, ficando os demais 65% pulverizados entre dezenas de países produtores, incluindo aí o Brasil.
Apesar de o nosso país despontar com grande potencial exportador, os obstáculos a enfrentar para ganhar espaço nesse campo são consideráveis e estão ligados não apenas a questões comerciais, mas burocráticas, técnicas e, especialmente, sanitárias.
Por isso não pode causar surpresa a restrição do Canadá à nossa carne por causa do mal da vaca louca, no início do ano, ou ao menor preço pago pelos importadores - especialmente da União Européia - pela nossa carne em relação aos vizinhos Argentina e Uruguai. O jogo é duríssimo e, cada vez mais, teremos de estar preparados para enfrentar dois desafios: primeiro, abrir espaço para a carne brasileira; e segundo, estarmos em condições de refutar as críticas e a ira dos nossos ferozes concorrentes.
A febre aftosa foi, durante muito tempo, a desculpa oficial dos importadores para não adquirir a carne bovina brasileira. A partir de meados da década passada, quando o governo brasileiro criou o Plano Nacional de Erradicação da doença e estipulou o ano de 2005 como limite para acabar com a aftosa, os competidores começaram a buscar outros argumentos para rebater nosso possível crescimento de vendas.
Tentaram, porém, sem muito sucesso, convencer alguns clientes que se sensibilizavam pela oferta de carne brasileira, que aqui usávamos anabolizantes ilegais. Não vingou! Depois, foi a vez de se fazer um movimento contra o uso de aditivos banidos em outras partes do mundo. Também não vingou!
Porém, o que não falta é criatividade e a próxima alegação dos nossos concorrentes está sendo preparada com muito cuidado para não se voltar contra o seu criador. Tenham a certeza de que em muito pouco tempo o discurso oficial dos tubarões do mercado internacional da carne bovina será a falta de política ambiental em nosso país. Em outras palavras, seremos acusados - se já não estivermos - de produzir carne bovina agredindo a natureza, desmatando florestas e acabando com as fontes de água. Para o consumidor do Primeiro Mundo, esse é um pecado que não tem perdão. Ele sabe disso, porque os seus próprios países foram vilões durante séculos e praticamente acabaram com as suas áreas verdes nativas.
De nossa parte, precisamos estar preparados. E muito bem. Como? Ora, fazendo nossa lição de casa: respeitando o meio ambiente e cuidado para que a produção pecuária conviva em harmonia com os mananciais, as áreas nativas. A legislação já existe, é preciso apenas levá-la a sério, sem brincadeiras. Afinal, está em jogo o aumento da receita com as exportações de carne vermelha, que este ano devem beirar a casa dos US$ 1 bilhão, mas que tem potencial para muito mais que isso.
Uma excelente oportunidade para os pecuaristas entenderem em detalhes o que significa exatamente produzir carne bovina com respeito ao meio ambiente será o painel sobre o tema programado para o 3º Encontro Nacional do Boi Verde, que será realizado entre 23 e 25 de agosto, em Uberlândia, pelo Sindicato Rural de Uberlândia, ABCZ, Embrapa Gado de Corte, Faemg e CNPC. A disseminação da informação é um fator importantíssimo para conscientizar os criadores dos desafios da relação pecuária/natureza.

O autor é presidente do Sindicato Rural de Uberlândia (MG)

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