O custo de produção da safra de verão será, em média, 40% maior, em relação à safra do ano passado. A razão é o aumento expressivo nos preços dos insumos. A informação é da engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab).
O índice de rejuste foi elaborado a partir da análise comparativa de uma cesta dos 29 produtos mais utilizados nas culturas de soja, milho e feijão entre junho de 2002 e junho de 2003. O aumento dos insumos, segundo a técnica do Deral, está atrelado à alta do dólar a partir de julho do ano passado. ''Temos uma significativa dependência de matéria prima importada, assim os preços desse produtos foram atingidos diretamente'', justifica Margorete.
A semente do feijão e a uréia foram os mais afetados com uma alta de quase 70%. A semente da soja (sc 50 kg) também teve um reajuste elevado, de 52%. Apesar da alta do dólar ter ocorrido no ano passado, o aumento dos insumos não afetou tanto o custo de produção da safra 2002/2003 porque muitos agricultores já haviam feito as compras.
Para o analista técnico econômico da Ocepar, Luciano Gonçalves, nos últimos anos o produtor tem aumentado seu poder de troca. O panorama, entretanto, não é o mesmo para quem produz soja. ''Quando ele programa o plantio da nova sofra o preço da soja cai e o dos insumos sobe. Isso provoca um desequilíbrio no custo de produção''. Por isso, o técnico orienta para a necessidade de programação da compra de insumos no período em que a relação de troca seja favorável. É preciso levar em consideração as duas variáveis: o preço do produto e o preço do insumo.
O programa de safra oferecido pelas cooperativas, na avalição da Ocepar, é benéfico. ''As cooperativas oferecem preços mais atrativos para pagamento futuro, quando a soja tem uma retomada no preço'', observa Gonçalves.
O gerente de compras da Coamo, José Varago, diz que 95% dos produtores já adquiriram os insumos para o próximo plantio, pois a política de compra e repasse antecipado desenvolvido pela cooperativa ofereceu bons preços para quem comprou em maio e junho. Ele também confirma o aumento nos preços dos produtos, mas o aumento de 40%, na sua opinião, atingirá quem deixar as aquisições para outubro.
Varago afirma que nos últimos dois anos os preços dos defensivos não foram reajustados pela variação do dólar. As indústrias não fizeram o repasse nos preços porque estavam interessadas em ganhar mercado através da fusão com outras empresas do setor e precisavam aumentar o volume de vendas. ''O mercado chegou a ficar saturado de algumas marcas'', comenta. Passado o alvoroço das fusões e a consequente diminuição no número de empresas, Varago diz que elas resolveram ''enxugar'' o mercado e elevar os preços.
Mesmo assim os analistas dizem que não será um ano de prejuízos. Margorete acredita que possa haver uma redução no uso de tecnologias e um leve aumento na área plantada de soja. Varago prefere orientar pela aplicação máxima de tecnologias visando o aumento da produtividade para diminuir os custos.

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