Produzindo para a alta gastronomia
Há cerca de 15 anos, o produtor rural Jeferson Luiz Ribeiro vislumbrou na ovinocultura um bom negócio para quatro propriedades que ele tem na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Em parceria com outros quatro empresários da capital, Ribeiro começou um projeto de criação de cordeiros precoces para abate que culminou no desenvolvimento de uma marca, a Qualicord, que abastece restaurantes sofisticados e muito exigentes de São Paulo e Rio de Janeiro.
Depois de testar várias raças, o empresário chegou a um cruzamento que considera ideal para atender à alta gastronomia, usando os animais Ile de France e Texel. Os cordeiros da Qualicord são abatidos precocemente, com quatro meses de vida, quando estão com 35 a 40 quilos. O peso da carcaça varia entre 13 a 20 quilos. Segundo Jeferson Ribeiro, esse cruzamento, mais o manejo possibilitaram um ótimo rendimento de carcaça, com cortes carnudos, marmoreio (gordura intramuscular) e cobertura padrão de gordura (necessário para o preparo, congelamento ou resfriamento).
Os cordeiros são criados em regime de confinamento, não recebem nenhum tipo de hormônio e a alimentação mistura leite e grãos. Nos primeiros cinco dias de vida, o animal recebe leite e permanece o tempo todo com a mãe. Depois, ele mama de manhã, na hora do almoço e à noite, comendo também grãos. Após 30 dias, os filhotes param de mamar na hora do almoço.
Segundo Jeferson Ribeiro, a produção está em torno de 4 mil a 5 mil animais por ano. Mas há procura na alta gastronomia para carnes dessa qualidade, tanto que o empresário está em busca de novos parceiros que poderão ganhar entre R$ 6,00 e R$ 7,00 pelo quilo do animal vivo.
Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), no mês de outubro, o preço do quilo de carne desossada de ovino congelada aumentou 12,9%. Em setembro o quilo custou US$ 8,72 e em outubro US$ 9,85. O preço do quilo das peças não desossadas de ovinos congeladas diminuiu 11,35%, passando de US$ 7,89 para US$ 7,00.
Jeferson Ribeiro afirma que em comparação com a bovinocultura de corte, a ovinocultura tem maior lotação por área e lucratividade por hectare. O giro também é muito mais rápido, explica. Enquanto a gestação de uma ovelha leva cinco meses e o abate do cordeiro ocorre com quatro meses, a gestação na raça bovina leva nove meses e o abate do bezerro ocorre entre 14 e 15 meses. (A.D.C.)





