Produzindo com qualidade
Valdeir Martins, produtor da região de Londrina, se destaca na atividade. Especializado na produção e comercialização de leite do tipo A, seus índices de CBT e CCS são muito abaixo do que é permitido pela legislação. Segundo ele, a exigência, em termos de qualidade para esse tipo de produto, é elevada. Para chegar a um produto de qualidade precisou de um sistema de manejo adequado e investir em tecnologia.
Com 70 animais em produção, Martins chega a coletar 1,1 mil litros de leite por dia em um espaço de 23 hectares. Hoje, segundo ele, o padrão de CBT da sua propriedade para o leite cru, por exemplo, é de 100 mil unidades por mililitro (ml), abaixo do limite máximo tolerável atualmente de 750 mil - que será baixado para 100 mil. O índice de CCS está em torno de 100 mil células por ml. O limite padrão é de 750 mil e vai baixar para 400 mil.
Porém, Martins se diz preocupado com essas reduções, principalmente no que diz respeito ao CCS. ''Apesar de estarmos dentro das normas, ficamos preocupados, pois se acontecer alguma coisa, como uma rachadura na teteira, esses índices podem subir. Nossa margem de erro terá que ser menor'', explica.
Para garantir os bons índices conquistados, todo o processo de ordenha obedece aos critérios exigidos pela legislação. ''Nosso sistema começa com a esterilização da sala de ordenha. Logo após, iniciamos a lavagem do teto com água de boa qualidade e enxugamos com papel descartável. Inserimos uma solução clorada e previamente limpamos os equipamentos com produtos específicos. Higiene é fundamental em todo o processo'', aponta o produtor, lembrando dos cuidados com os equipamentos.
Mesmo estando tranquilo quanto às novas normas, Martins diz que a mudança proposta pelo governo foi muito brusca e gera preocupações no setor. Segundo ele, o atual padrão brasileiro é baseado no americano e o que deverá ser estabelecido daqui a alguns meses é o europeu. Ele acredita que essa mudança irá prejudicar o produtor e poucos conseguirão atingir a meta, já que o leite de qualidade demanda investimentos.
O produtor completa que o custo de produção de um leite comum, tipo B ou pasteurizado (antigo leite C) e longa vida, gira em torno de R$ 0,85 o litro. ''Muitas vezes ele recebe do mercado a R$ 0,80/l'', indaga. Martins completa que com os preços baixos, o produtor deixa de investir em qualidade. ''O Brasil devia diminuir gradativamente esses índices. O governo americano já quis se basear no padrão europeu, mas os produtores protestaram e não deixaram a medida ser implantada'', aponta.
Apesar de ter a sua própria indústria, Martins, que vende seus produtos nas panificadoras da região, reforça que outro problema que pode ocorrer com as mudanças da IN 51 é a possível pressão por parte das indústrias para baixar ainda mais os preços pagos aos produtores, alegando que a qualidade não está satisfatória. ''Hoje, para um produtor de leite comum sobreviver, o mínimo que deve receber é R$ 1,20''.
Por conta disso, Martins optou por produzir leite tipo A. Hoje, seu custo de produção gira em torno de R$ 1 o litro, mas chega a vender a R$ 1,80. ''Conseguir esses resultados não foi uma tarefa fácil. Houve um investimento pesado na minha pequena indústria'', afirma. O produtor explica que uma estrutura inicial para a produção de leite tipo A não fica por menos de R$ 1 milhão. (R.M.)





