Londrina Em 1993, quando Rogério Konsen abriu a Terra Preservada Organic Foods, um dos problemas a serem superados era conseguir parceiros para produzir alimentos, basicamente, sem uso de agrotóxicos e de adubos químicos altamente solúveis. Quase 10 anos depois, a empresa que foi pioneira nas exportações de soja orgânica do Brasil contabiliza mais de mil agricultores certificados entregando, em seus armazéns, uma produção que este ano deve bater em 4 mil toneladas. A grande maioria da produção sai de lavouras paranaenes e do Norte de Santa Catarina e abastece o mercado externo.
A experiência de Konsen ilustra o quanto o mercado para produtos orgânicos tem crescido e ele garante: ''Há espaço para crescer muito mais, principalmente no mercado interno''. Rogério Konsen falou sobre o mercado de orgânicos para uma platéia de agricultores na última quinta-feira, no Agrishow Paraná, evento que termina hoje em Londrina.
A soja é o carro-chefe na exportação da Terra Preservada, que também vende para os países da Europa e América do Norte os derivados do produto (farelo e óleo), feijões, banana passa e erva mate. Todos os produtos, para serem exportados, precisam de certificação, feita pela empresa suiça IMO Control e totalmente paga pela Terra Preservada.
''O produtor não tem custo nenhum'', informa Konsen. Antes mesmo de ser certificado processo que demora cerca de dois anos e período em que o produtor recebe certificado de agricultor em conversão ele já começa a entregar sua safra à empresa e recebe, pelo menos, 10% a mais pela produção. Após a certificação, o preço pago pelos produtos varia, mas é superior ao pago no mercado de produtos convencionais.
Para ilustrar, Konsen cita que este ano, na época da safra de soja, quando se pagava US$ 9,40 pela saca de 60 quilos, a Terra Preservada pagava entre US$ 15 e 16,50 pela saca. ''A agricultura orgânica não é viável só porque promete um preço melhor e sim porque o produtor tem que enxergá-la como uma técnica que vai permitir com que ele tenha mais sustentabilidade a médio prazo do que usando sistemas convencionais de produção'', ressalva Konsen.
Ele lembra que quando a Terra Preservada entrou no mercado, apenas 80 produtores se submeteram às normas da agricultura orgânica. ''Foi um trabalho difícil, investimos bastante em treinamento e assistência técnica. Hoje não temos mais dificuldades para encontrar parceiros.'' As exportações, naquele ano, se limitaram a 400 toneladas e não foi por falta de consumidores, mas por falta de produtos a serem exportados.
''O mercado para orgânico na Europa e América do Norte já está consolidado e lá se paga um prêmio maior pelo produto. É por isso que trabalhamos mais com exportação, mas o mercado interno tem um potencial enorme'', cita Konzen. Segundo ele, uma pesquisa realizada pelo Sebrae identificou que há uma parcela enorme de consumidores brasileiros ávidos por produtos orgânicos.
A dificuldade apontada por Konzen para que os orgânicos cheguem às prateleiras de supermercados brasileiros está no custo de distribuição. ''A logística de distribuição dificulta o processo, mas isso tende a se descomplicar. Estamos buscando investidores para termos mais recursos e sermos mais agressivos no mercado interno'', comenta. A Terra Preservada entrega 20 produtos ao mercado brasileiro. Entre os principais estão farinha de trigo, arroz, feijão e açucar mascavo.
Na avaliação de Konzen, o alimento orgânico no mercado brasileiro tem capacidade para crescer 100% ao ano. ''É um mercado que não consegue suprir a demanda, portanto, existem oportunidades de mercado, principalmente no sul do Brasil. O orgânico tem capacidade para competir com o convencional economicamente e, a médio ou longo prazo, oferece melhor retorno financeiro.''
Com boas perspectivas para o mercado interno e um mercado externo crescente, a Terra Preservada calcula que tem potencial para crescer 40% ao ano. ''Nossa expectativa é colher entre 5 e 7 mil toneladas de ôrganicos ano que vem e para isso estamos buscando novos parceiros'', aponta.
Konsen lembra que a produtividade das lavouras orgânicas é a mesma das convencionais. Com a diferença salienta de que o produtor pode, facilmente, reduzir o custo de produção em 10%. ''O custo de produção inicial vai depender do nível de fertilidade natural do solo e da incidência de invasoras (ervas daninhas), mas uma vez controlados esses fatores, o custo é reduzido.''

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