Produtos do investimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
As cinco raças bovinas de maior participação em número de cabeças na Exposição 2003 (nelore, limousin, marchigiana, charolês, angus) representam hoje o que está em maior evidência na pecuária brasileira.
A avaliação é da agrônoma Neusa Soni, do setor de animais da Sociedade Rural do Paraná (SRP), entidade que promove a feira. Todos os anos, os espaços destinados aos bovinos que participam da exposição são divididos antecipadamente conforme pedidos das associações de criadores.
''Existe um tipo de seleção natural pelo qual as raças que estão em maior evidência no mercado ou que possuem maior número de cabeças criadas acabam tendo maior participação, mas isso não é uma regra. Há espaço para todas e com ajustes aqui e ali sempre conseguimos satisfazer os criadores.''
A agrônoma garante que os animais que participam dos julgamentos, leilões, ou que estão nos barracões do Parque Ney Braga apenas para a mostra, são um retrato do investimento em genética que cada pecuarista tem feito pela sua raça bovina. Mesmo os chamados animais comerciais, trazidos para leilões de gado de corte, são de alta qualidade, afirma.
Este ano o nelore terá 893 exemplares, o limousin (275), o marchigiana (274), o charolês (219) e o angus (217).
Os criadores têm procurado aprimorar as características de seus animais a fim de obter produtos precoces. ''E é na pista de julgamento que buscam o coroamento de todo o trabalho.'', afirma.
Mas é a partir dos animais de pista, melhorados geneticamente, que se faz, lembra Neusa Soni, o animal para a produção. ''Os criadores trazem para o Parque Ney Braga o resultado do investimento em genética, com um rebanho cada vez mais seletivo. Estão preocupados com a qualidade para atender o mercado.''
O que se vê nas pistas de julgamentos e leilões ou mesmo expostos nos pavilhões são animais que não fazem parte do chamado rebanho comercial, destinado a produção de carne ou leite, mas matrizes e reprodutores que são a base para conseguir essa produção.
Para chegar ao plantel comercial, precoce em produção, que resulte em carne ou leite de qualidade, produto ajustado ao que o mercado consumidor quer, antes, é necessário, lembra a agrônomoa mais uma vez, muito investimento em genética.


