Produtos da agro tiverem destaque
Cláudia Barberato
Além da variedade e qualidade de produtos agrícolas, a 39ª Exposição Agrícola de Londrina, promoção da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), realizada no final da semana passada (entre os dias 3 e 6), mostrou também este ano a opção de produtores e pequenos empresários pela agroindústria de alimentos.
Eles estão apostando na industrialização de frutas e legumes, produzidos na região, para aumentar a renda da propriedade ou como alternativa de viabilizar pequenas empresas familiares.
Segundo o coordenador agrícola da feira, Hajime Kato, o maior interesse por produtos da agroindústria caseira começou no ano passado e se consolidou este ano. Durante a feira foram divulgados endereços e contatos no Japão, para exportação de produtos agroindustriais.
Tipo exportaçãoKato afirmou que há interesse na compra de produtos desidratados expostos na feira. Cenoura, pimentão, manga, nabo, beringela, caqui seco, tomate, banana, entre outros, chamaram a atenção de compradores do Japão.
Já foi feito um primeiro contato, informa a pequena empresária Eliza Ito, que dirige a Nectar, empresa de Londrina que funciona há quatro anos. O negócio de desidratar produtos agrícolas, segundo Eliza, partiu da idéia de aproveitamento de produtos.
No Brasil se perde muito da produção agrícola, sobretudo no caso de frutas e legumes, que são produtos perecíveis. Uma forma de guardar, não perder, e consumir a longo prazo, é desidratar. Um produto desidratado pode ter uma data de validade para consumo de até seis meses e ser guardado em qualquer lugar, garante.
Hoje a empresa de Eliza produz cogumelos desidratados, caqui, maçã e tomate, entre produtos. Mas, o campeão de vendas é a banana passa. Temos uma produção de 100 quilos mensais, que são absorvidos em supermercados de Londrina e cidades vizinhas.
Outros projetos de Eliza e do sócio, o engenheiro elétrico, Hélio Kayamori, é fazer o aproveitamento e a desidratação de casca de banana para ser usada em ração. Todos os produtos a serem industrializados são comprados de pequenos produtores da região.
O processo de secagem é mecânico, mas diferenciado para cada produto. A máquina foi desenvolvida por Kayamori. A empresa tem apenas três funcionários e recebe orientação de um agrônomo, Seisuke Ito.
Aumento de rendaTambém na área da agroindústria, os sete membros da Associação de Produtores de Artesanato Rural da Região Metropolitana de Londrina, estiveram na feira da Acel expondo sua produção: defumados, embutidos, pães e bolachas, picles, licores, queijo e ervas.
A opção pela industrialização de seus produtos, segundo Edson Parra, da associação, fez com que muitos produtores viabilizassem suas propriedades.
Os proprietários da Chácara Red Green, Luiz Paulo Forattini e Laerte Pelizer Júnior, participaram este ano pela primeira vez da exposição da Acel. Ficaram satisfeitos com o interesse do público por seus produtos: tomate caqui e pepino japonês hidropônicos, fruto de seis estufas instaladas em uma propriedade em Londrina.
A produção foi iniciada há um ano e meio e tem como carro-chefe o tomate caqui, além do pepino japonês. Forattini estima uma produção de 100 toneladas ano, toda vendida no mercado de Londrina. Ainda assim não conseguimos atender toda a demanda, reforça Pelizer.
O produto não estraga fácil, tem validade na geladeira de até 30 dias e de 20 dias em ambiente normal. Outro vantagem é a menor acidez. Os produtores são cultivados em água potável e com o mínimo possível de agrotóxico. Quando é necessário faz-se uma aplicação reduzida, com produtos de carência mínima, para garantir a qualidade e segurança do produto, explica Pelizer.
Segundo ele, a produção tem análise do Instituto Adolfo Lutz, de Curitiba, para medir a composição nutricional e resíduos. O projeto agora é instalar a produção de morango e pimentão no sistema de hidroponia.
Sucesso de públicoDesde produtos destinados à cozinha japonesa e condimentos, caldo-de-cana fermentado com substância vitalizante, sementes, grãos, frutas, legumes, verduras, folhas verdes, produtos de laticínios e até húmus, entre outros, lotaram os salões da Acel.
A feira, segundo os organizadores, foi um sucesso de público, pois recebeu 50 mil visitantes. Ao todo foram 400 expositores, entre produtos agrícolas e de indústria. O plano é estender a festa para uma semana, a partir do ano que vem.Cresce a participação da agroindústria. Produtores e pequenos empresários procuram novos mercados
Dorico da SilvaInteresseEliza já fez contatos com empresas do Japão para exportar seus produtos desidratadosGrãos, frutas, folhas, raízes. Produtos de alta qualidade foram mostrados na feiraForattini e Pelizer. Satisfeitos com interesse pelos produtos de hidroponiaCresceu a mostra de produtos da agroindústria, desenvolvidos por produtores e pequenos empresários





