Produtos artesanais trazem experiência única ao consumidor
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sábado, 15 de junho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 
“O consumidor quer comprar um produto e a história que vem junto dele. Não se trata só da qualidade, do sabor, mas estar provando algo que é uma experiência. Temos um potencial enorme para os produtos artesanais.” Assim define a coordenadora de agronegócio, alimentos e bebidas do Sebrae/PR, Andreia Claudino, acerca do caminho que o queijo artesanal e outros produtos podem trilhar no Estado. Para ela, essa é uma estratégia para verticalizar a produção em pequenas propriedades.
Ela cita que nas experiências que o Sebrae teve com pequenos laticínios no Estado e, se fosse fazer uma estimativa, 80% das não conformidades nas propriedades em relação à legislação estariam ligadas à falta de entendimentos de alternativas para atender a lei. “Às vezes uma conversa, uma harmonização do entendimento técnico pode fazer uma grande diferença. Podemos ter bons produtos, notórios, que podem ser conhecidos no Estado e fora dele e acabam perdendo força por esse preconceito relacionado ao não entendimento da legislação. Nós, instituições que fomentam a formalização de pequenos negócios, precisamos mostrar alternativas para atender a legislação e assim ganhar mercados.”
Um trabalho interessante do Sebrae nesse sentido é o programa Alimentos do Paraná, que, de forma simples, traz uma lista de verificações em relação às conformidades vinculadas à legislação. “Essa lista de verificação é harmonizada com a Adapar. Isso significa sentar com a agência e falar, por exemplo, que um item está muito complexo para o produtor ou empresa entender, questionamos as alternativas e com uma consultoria de terceira parte, a Tecpar, facilitamos com o órgão fiscalizador quando ele for até o produtor.”
Para os queijos artesanais do Estado, um caminho pode ser o das Indicações Geográficas (IGs), ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções de agregar valor ao produto e proteger a região produtora. Como cada região tem peculiaridades em relação ao queijo produzido, a estratégia pode dar bons resultados.
Hoje no Paraná há apenas uma IG para queijos, mas que não são considerados artesanais. Localizada na região dos Campos Gerais, no município de Palmeira, está a Colônia Witmarsum. Atualmente, são 20 toneladas de queijo produzidas por mês abastecendo mercados em todo o Paraná e em diversos outros estados brasileiros, sendo gradativamente conhecidos em nível nacional e concorrendo, à mesma altura, com produtos semelhantes de países com séculos de expertise na produção de lácteos, como brie e camembert e queijos maturados por fungos. A fabricação dos queijos finos vem desde 2002 agregando valor à produção dos agricultores familiares, perpetuando as receitas criadas originalmente por um mestre queijeiro suíço e atendendo a consumidores mais exigentes.
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