A possibilidade de gerar renda a partir da produção associada de frutas vermelhas atraiu a atenção de pequenos a grandes produtores, tanto pelo desenho do projeto como pela chance de aproveitar melhor áreas das propriedades rurais. Eles apontam também a chance de fortalecimento da cadeia e a perspectiva de geração de renda que já se desenha com mais atenção ao morango, na região de Londrina.

O agricultor André Luiz de Oliveira e Silva, de Sertanópolis, passou a frequentar as reuniões promovidas pelo Sindicato Rural de Londrina depois de indicação do Cresol (Sistema das Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária), um dos apoiadores da iniciativa. Ele diz que esteve recentemente no Rio Grande do Sul e conheceu experiências com frutas vermelhas, com bons resultados. "Minha maior vontade é iniciar uma nova cooperativa na nossa região, porque hoje só existem as voltadas para grãos, mas nada para o pequeno produtor", diz o proprietário do Sítio São José.

Silva afirma que já estuda a rentabilidade do morango e percebeu que está de acordo com o apresentado nas reuniões. "Isso me passou confiança no projeto", diz o produtor, que planta mandioca, soja e milho. "Queria plantar umas três culturas diferentes, um hectare cada, para conhecer, porque enxergo que esse é o único caminho. O pequeno produtor hoje tem o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e outras opções, mas, do jeito que o governo está indo, acho que isso logo vai acabar."

Imagem ilustrativa da imagem Produtores visam melhor  aproveitamento de áreas
| Foto: Saulo Ohara/29-08-2017



A escassez de mão de obra é uma das dificuldades apontadas por ele na região. "Ainda preciso me aprofundar, mas acho que, no morango, toco a produção com duas pessoas. Claro, na colheita vou precisar de mais, mas esse é um dos benefícios de se formar uma associação", afirma Silva, que se propõe até a trabalhar com um viveiro de mudas para fomentar o polo.

Já o agricultor Celso Scaburi acredita que a cultura de frutas vermelhas permitirá um melhor aproveitamento de áreas hoje não usadas, entre os 400 hectares que comanda, em Jaguapitã. "Estive buscando alternativas, porque o preço da terra é caro e não dá para deixar parado, precisa de uma opção para rentabilizar", diz.

Scaburi trabalha com a integração entre soja, milho e gado e afirma que, assim, também contribuirá para gerar empregos na região. "Além da rentabilidade e da diversificação, é possível agregar mais pessoas para trabalhar na propriedade, que é a função social da terra", conta.

Para entender o processo, ele pretende começar com uma pequena área, mas considera a ideia coerente. "O caminho é realmente o associativismo, para ter uma constância de abastecimento ao comerciante e ao cliente, porque a grande dificuldade desse projeto é mesmo a comercialização", ressalta Scaburi. (F.G.)

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