Produtores testam novas tecnologias
A adubação antecipada eleva os índices de produtividade do milho. Isto foi demonstrado no Dia de Campo do Milho, promovido pela Cooperativa de Produção Agropecuária Integrada do Paraná dia 1º, em Mauá da Serra, Norte do Estado.
A expectativa dos produtores, que investiram nesta nova tecnologia, é colher 200 sacas por hectare (ha), dobrando a média produzida há quatro anos.
Para conseguir os resultados esperados, os produtores aplicaram, antecipadamente, 300 quilos de nitrogênio, fósforo e potássio por hectare, na proporção 30-0-18. Durante o plantio, aplicaram 342 quilos/ha dos mesmos nutrientes, na proporção 10-14-10. A adubação de cobertura, adicionada após o plantio, foi aproximadamente 100 quilos/ha de uréia.
Mais aduboOs experimentos foram realizados por treze agricultores que integram o Grupo de Desenvolvimento de Tecnologia (GDT) do município de Mauá da Serra, interessados em aumentar a produtividade de suas lavouras.
O produtor Sérgio Higashibara, integrante do grupo, explicou que conseguiu melhorar a produtividade através do aumento na quantidade de adubo aplicado. Seguindo as recomendações da Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato (Potafos), ele também optou por adicionar insumos ao solo um ano antes do plantio, a exemplo da técnica praticada com a soja.
Nosso objetivo não é apenas aumentar a produtividade, mas fortalecer o solo, repondo todos os nutrientes que foram retirados, disse, acrescentando que a terra da região é desgastada porque os agricultores costumavam extrair nutrientes sem preocupar-se com a reposição.
IntegraçãoOutro segredo é a integração entre as adubações previstas para o milho, a soja e o trigo. Como antecipamos a aplicação de adubo para o milho, permitimos o aproveitamento dos nutrientes também pela soja, que só responde à adubação antecipada. Dessa forma, aumentamos a produtividade nas duas lavouras, argumenta. A adubação prevista para o trigo, que não teve colheita na última safra, também foi incorporada ao preparo do solo que recebeu o milho.
Sobre a viabilidade econômica da iniciativa, Higashibara garante que o aumento dos gastos com a adubação é compensado pela alta produtividade. Caso a meta de 200 sacas seja atingida, ele espera ganhar R$ 480 a mais em cada centena de sacas vendidas.
Mesmo que os lucros não sejam expressivos agora, estamos investindo em uma poupança da terra, pois futuramente, a quantidade de adubo necessário para manter a produtividade será menor. Além disso, a manutenção da qualidade do solo garante a produtividade inclusive em situações adversas. No ano passado, por exemplo, nós tivemos uma boa colheita, com uma produção de 130 sacas/ha, apesar da seca que assolou a região.
MetaDe acordo com o gerente da Cooperativa Integrada na região de Mauá da Serra, Seisuke Ito, a meta de produção estabelecida entre os agricultores que integram o GDT é atingir a produção de 500 sacas/ha de milho, 200 sacas/ha de soja e 200/ha de trigo. Mas o objetivo principal é elevar a média de produção de toda a região, comentou.
A intenção da cooperativa é difundir a técnica da adubação para os cooperados das 13 unidades da Integrada. Em outras regiões, não é possível utilizar as mesmas medidas de insumos ou as espécies de sementes utilizadas pelo pessoal do GDT. Porém, a experiência pode e deve ser aproveitada, disse.
Ele afirmou que é importante mostrar a viabilidade de lucros aliada ao investimento em tecnologia. Queremos chegar ao equilíbrio, praticando uma agricultura que seja sustentável economicamente e não cause agressões à natureza.
O Dia de Campo teve 228 participantes - entre produtores e técnicos - que acompanharam as apresentações técnicas de 11 empresas produtoras de sementes e 13 fabricantes de insumos. Um grupo de aproximadamente 50 especialistas em fertilidade do solo e nutrição de plantas, representando diversas instituições de pesquisa, universidades e indústrias brasileiras, esteve visitando propriedades locais para conferir o trabalho.





