Produtores respondem ao incentivo
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sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Cristina Côrtes 
No Médio Paranapanema, uma das principais regiões produtoras de algodão do Paraná, 330 agricultores já se inscreveram no Programa de Retomada do Plantio de Algodão lançado este ano pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A expectativa é que o plantio na próxima safra seja de aproximadamente 2.500 hectares (ha) na região, que abrange 25 municípios.
A informação é do coordenador de lavouras do Escritório Regional da Emater em Londrina, Ildefonso Haas, que avalia positivamente a disposição dos produtores. Comparando com a safra passada, quando apenas 30 produtores plantaram 800 ha, e considerando a importância econômica e social da cultura do algodão, acreditamos nos benefícios para a economia do Estado.
Em todo o Estado a Seab pretende investir em torno de R$ 26 milhões neste programa, que tem como meta atingir o plantio de 250 mil ha, estimando produzir 30 milhões de arrobas de algodão. O valor a ser investido dependerá do número de produtores que se inscreverem no programa. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) serão gerados cerca de 83 mil novos empregos pela reativação de 82 beneficiadoras de algodão, que voltarão a operar no Paraná.
EsperançaNesta semana, no dia 27, foi realizada em Centenário do Sul reunião entre produtores, vereadores, técnicos, dirigentes de cooperativas, representantes dos trabalhadores e da classe patronal; agentes financeiros e lideranças rurais, com o objetivo de integrar os diversos segmentos da cotonicultura regional, numa promoção da Associação dos Vereadores do Médio Paranapanema (Avempar), Seab, Emater e Prefeitura de Centenário do Sul.
Os produtores esperam que o governo consiga liberar o subsídio a tempo para o plantio e que o acesso ao crédito do Pronaf fique mais fácil, sem tantas exigências. Um dos fatores que motivam os produtores a plantar é a reação dos preços, que estão em torno de R$ 8,00 a arrôba, enquanto o preço mínimo é R$ 7,00.
O subsídio deverá ser dado a pequenos produtores com até três módulos. O valor será de R$ 106,00 por ha, e será atendida área de até 6 ha. Cada produtor receberá calcário, sementes e horas-máquinas para preparo do solo. Como o recurso é pouco, muitos produtores devem buscar complementação do Pronaf, para garantir o custo com adubação e um controle de pragas bem feito, comenta Ildefonso.
Custo de produçãoO extensionista destacou que, para a cultura de algodão, o produtor precisa estar disposto a investir para ter um bom retorno. O algodão depende de recursos e uma boa assistência técnica. Se não investir, não colherá bem e não conseguirá boa remuneração, diz.
De acordo com dados levantados pela Emater, para alcançar uma produção de 165 arrôbas/ha o custo de produção gira em torno de R$800,00 por ha. Do custo total de produção, 34% são gastos com mão-de-obra (R$272,00); 24% com preparo de solo, máquinas, aplicação (R$192,00); 42% com insumos como sementes, adubo e veneno (R$336,00).
A cultura do algodão dá um bom retorno para o produtor, e com algum estímulo os produtores se dispõem a plantar mais, diz Ildefonso. Considerando esta mesma produção de 165 arrobas/ha, gasta-se 114 arrobas/ha para produzir, e sobra uma margem de 51 arrobas o que equivaleria a R$357,00 por ha (considerando o preço mínimo de R$7,00 a arroba). Comparando com a soja, por exemplo, com uma produtividade de 20 sacas por ha e um custo de 50%, consegue-se uma margem, neste mesmo hectare, de apenas R$260,00 (considerando o preço de R$13,00 a saca).
Mão-de-obraA mão-de-obra, um dos itens que mais preocupa os produtores também foi discutido durante a reunião. Diante da grave crise de desemprego no campo, as entidades sindicais patronais e de trabalhadores resolveram sentar juntas para chegar a um consenso. Os patrões propõem-se ao pagamento de encargos sociais e a fornecer comprovantes de pagamento, e o sindicato dos trabalhadores pretende buscar uma negociação que interesse as duas partes, evitando confronto e ações trabalhistas.
Um dos fatores que promoveram a redução de área de algodão foi o receio do proprietário de plantar, depender da mão-de-obra e depois se ver envolvido numa conta que não tem condições de pagar, explica Ildefonso. Pela primeira vez estamos vendo as duas partes conversar, percebendo que uma precisa da outra, e buscando uma solução, completa.
Outros assuntos como as perspectivas de mercado, orientações técnicas, alerta de doenças e endividamento dos produtores também foram debatidos durante o encontro.
Na última safra (96/97) foi cultivada uma das menores safras na história do Paraná, com apenas 59,7 mil ha, que produziram 113 mil toneladas de algodão em caroço.


