Produtores rejeitam frango ''sem pena''
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de maio de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As experiências que estão sendo feitas na área de genética, que resultaram na criação de um frango sem penas por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, não foram bem recebidas por produtores paranaenses. Para os produtores de ovos, esse tipo de genética iria encarecer o custo de produção, porque exigiria mais investimentos em climatização.
Para o produtor Oswaldo Facciolo, proprietário da Granja São José, em Terra Rica, região Noroeste do Paraná, essa pesquisa não é atrativa para a avicultura de postura. Segundo ele, as aves de postura ficam isoladas em gaiolas e não dá para aquecê-las como nas granjas especializadas em avicultura de corte. As penas ajudam a aquecer as aves, o que evita uma série de doenças, diz o avicultor.
Facciolo diz, no entanto, que a pesquisa não o surpreende. Ele conta que nos próximos anos uma série de pesquisas na área de genética vão surgir no segmento da avicultura. O avanço da tecnologia está só começando, referindo-se à pesquisa do frango sem penas. Ele acha que o sistema de manejo com as aves será totalmente informatizado e a tendência é de eliminação da mão-de-obra braçal.
A pesquisa confirma a opinião do produtor. O pesquisador da Embrapa-SC, Elcio Figueiredo, especialista em genética avícola, disse que a experiência do frango com poucas penas apresentou bons resultados. Mas não é indicada para o clima do Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, onde se concentra a maior parte da produção avícola do País, afirmou.
De acordo com Figueiredo, a experiência é válida apenas para países do Sudeste Asiático, onde a temperatura média do ano atinge mais de 40 graus centígrados. Para o clima do Brasil, a temperatura média do ano é mais baixa e é inviável a criação de um frango sem penas, porque ficaria suscetível à ocorrência de doenças pulmonares e morte da ave


