A pulverização aérea em canaviais na região de Nossa Senhora das Graças, município localizado no Norte do Paraná, está tirando o sono de muitos produtores devido à deriva causada pela aplicação inadequada. Muitos pecuaristas que trabalham com gado de corte e leite dizem que estão sendo prejudicados pela deriva porque os defensivos estão comprometendo a produção das pastagens.
O pecuarista Valter Clímaco, que lidera o grupo de reclamantes, afirma que o problema se intensifica principalmente entre os meses de maio e junho, quando ocorre a pulverização com um produto para ajudar o processo de maturação da cana-de-açúcar. "O Glifosato e o 2,4-D são os produtos mais usados nas lavouras de cana, prejudicando muito o pasto. O avião passa bem na divisa da minha propriedade", reclama.
Clímaco observa que as consequências da deriva não aparecem de imediato. Ele percebeu que somente depois de algum tempo após a passagem do avião é que os pastos começaram a amarelar. "Já cheguei a ver o avião pulverizando com vento superior a 40 km/h. Eles disseram que iam indenizar os prejuízos. Mas não quero dinheiro, mas sim trabalhar sossegado com o meu gado", desabafa. Ele reclama que faz toda a adubação da pastagem, os tratos culturais, mas os defensivos acabam com tudo.
Davi Bispo da Silva também está na mesma situação. Produtor de pastagens, ele calcula um prejuízo anual de R$ 1,5 mil com a deriva. "Já faz uns dois anos que estamos enfrentando esse problema aqui na região", lamenta. Ao todo, ele cultiva atualmente 3,6 hectares de pasto.
O custo de produção do produtor de leite Nilson Gatti aumentou com as perdas da qualidade das pastagens. Para alimentar as cem vacas da propriedade, 60 delas em lactação, ele necessita comprar comida porque o que o pasto oferece é insuficiente. Além da deriva, a última geada foi o golpe de misericórdia do pasto da propriedade. Ele reclama que nunca recebeu indenização pelos prejuízos causados. (R.M.)

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