Cristina Côrtes
De Londrina
Um diagnóstico de toda a a cadeia têxtil, elaborado por representantes dos diversos segmentos, foi entregue nesta semana ao Ministéiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, dando início ao Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil e de Confecções.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Luiz Ribas Pesse, o documento é composto de propostas importantes e urgentes que servem para todos os elos da cadeia. ‘‘Já existe uma consciência de que cada segmento depende um do outro, e todos devem ter condições de se manter bem na atividade’’, destaca. ‘‘Medidas que beneficiam um setor, mas prejudicam outro, não farão parte do fórum de soluções, e serão analisadas separadamente’’. Pesse citou como exemplo o incentivo à produção de fibras sintéticas.
Nova políticaSegundo Pesse, os impostos e a concorrência com os custos internacionais são hoje os principais problemas dos cotonicultores. ‘‘Concorremos não com o produto, mas com o crédito. Precisamos equalizar nossos custos com os custos de fora, que têm maior prazo e menores juros’’, comenta.
O presidente da Abrapa adiantou que uma das reivindicações que pode minorar este problema é a instalação de armazéns alfandegados em porto seco. ‘‘O produto nacional entraria nesses armazéns, caracterizando exportação e depois voltaria como algodão importado, gozando dos benefícios de prazo da importação’’, explica Pesse. ‘‘O mercado interno continuaria a atender os pequenos e não entrariam em conflito com os grandes’’, completa.
Outras propostas do documento são mudanças no sistema de tribuição que é ‘‘arcaica’’, na opinião do presidente da Abrapa; antecipação dos contratos de opção de venda para estimular o produtor antes do plantio; criação de Empréstimo do Governo Federal (EGF) atrelado ao produto; Prêmio de Escoamento do Produto; classificação oficial obrigatória somente para artigos de consumo humano ou para formar os estoques do governo; mudanças nos agroquímicos; e promoção e marketing.
Pesse destaca que na útlima reunião da associação foi discutida a participação dos cotonicultores em feiras e seminários de moda em todo o mundo, como forma de divulgar a qualidade do produto brasileiro. ‘‘A moda do algodão é a grande tendência’’, defende Pesse.
SafraA produção brasileira para a safra que começa a ser colhida no final deste mês em alguns locais está estimada em 586.800 toneladas, para um consumo de 850.000 toneladas. A área cultivada nesta safra é de 737,7 mil hectares, com destaque para o Mato Grosso que plantou 250 mil ha.
O Paraná plantou 50 mil hectares e de maneira geral as lavouras estão em boas condições, segundo Maurício Lunardon, do Departamento de Economia Rural(deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Como o plantio foi atrasado por causa da estiagem, a colheita no Paraná só deve começar na segunda quinzena de março.
O custo de produção desta safra comparado com a sagra 98 ficou 21% mais caro, afirma Lunardon. Em outubro de 98 o custo era R$1.077,00/ha e outubro de 99, R$1.306,00/ha. ‘‘Esta alta foi provocada pelo aumento do preço dos insumos cotados em dólar’’, diz Lunardon. E o preço da arrôba este ano está igual ao do ano passado.
Segundo dados da superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, os estoques oficiais de algodão em pluma do Estado, que no final do ano somavam 688.023 kg, já estão reduzidos a 103.000 kg (dados do final do mês de janeiro). A indústria paranaense terá que continuar, via leilões, a buscar produto em outros estados como MT, MS e Go
PreocupaçãoO técnico do Deral comenta que a maior proecupação dos produtores no momento é com o clima na hora da colheita. ‘‘Este fator tem se transformado numa limitação a cotonicultura paranaense devido a irregularidade climática neste período, o que não acontece, por exemplo, na região do cerrado. ‘‘Mas se tudo correr bem, Lunardon diz que as condições de boa parte das lavouras parananenses vão permitir uma produtividade acima da média de 2.100 kg/ha.

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