Produtores querem mais feiras de orgânicos
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os produtores de frutas e verduras orgânicas de Curitiba e Região Metropolitana querem abrir o mercado consumidor para escoar a produção. Os produtores não querem ficar dependentes apenas das grandes redes varejistas de supermercados que onera o preço. A solução é ampliar o número de feiras livres especializadas onde o produtor pode vender sua produção diretamente ao consumidor, sem intermediários, defende a agricultora Sandra Mara Ribas Machado dos Santos, de Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba.
A agricultora terá um encontro, nos próximos dias, com o secretário de Abastecimento de Curitiba, Antonio Poloni, quando pretende solicitar a abertura de novos espaços em feiras e investimentos em marketing para atrair o consumidor. Atualmente, são cinco as feiras de produtos orgânicos em Curitiba e a intenção é abrir mais uma, na Praça do Japão, no coração do Batel, em Curitiba. O secretário adiantou à Folha que a idéia é boa. Segundo ele, até o final do ano será criado um Centro de Comercialização Permanente de Produtos Orgânicos.
A agricultora aposta no convencimento dos consumidores, principalmente aqueles preocupados com os impactos sociais e ambientais da agricultura convenional. Segundo ela, a produção de orgânicos gera um desenvolvimento rural mais sustentável porque absorve mais mão-de-obra e gera desdobramentos como o turismo rural.
De acordo com Sandra, o consumidor está mais interessado em comprar os produtos orgânicos também porque a diferença de preço em relação ao produto convencional é bem menor do que era no passado. Atualmente, somente o tomate, morango, batata e cebola orgânicos custam mais caros porque o sistema de produção é mais exigente. Já produtos como alface, couve-flor, couve, brócolis, cheiro-verde, repolho e rúcula estão com preços equivalentes aos cobrados em produtos convencionais vendidos nas feiras livres, comparou.
Segundo a agricultora, a queda nos preços dos orgânicos vendidos em feiras livres foi possível graças ao sistema de certificação feita pela rede Ecovida, do Rio Grande do Sul, que já tem 370 agricultores cadastrados na Região Metropolitana de Curitiba. A certificadora aumentou o número de produtores filiados, desde que Sandra foi premiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000. De acordo com a Onu, a agricultora paranaense foi pioneira na produção de tomate orgânico, em sua propriedade de Campo Magro.
Os agricultores de produtos orgânicos de Colombo, outro município da RMC, vendem a produção para as grandes cadeias varejistas de supermercados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São quase 100 produtores que produzem mensalmente 300 toneladas de orgânicos. ''Era necessário no mínimo dobrar essa produção, que é insuficiente para atender a demanda'', disse Marcelo Amilcar Milanese, gerente da Associação Paranaense dos Agricultores de Colombo (APAC).
Segundo Milanese, os produtos orgânicos conquistaram os consumidores que hoje são mais conscientes sobre a necessidade de alimentos mais saudáveis. Ele disse que a diferença de preços com os produtos convencionais já foi maior e atualmente ela oscila entre 50% e 60%, na média. A vantagem da produção orgânica é que o mercado é mais estável e dificilmente se submete à quedas drásticas de preços como ocorre com a produção convencional, comparou.
Milanese justificou que os agricultores orgânicos trabalham com planejamento da produção e resistem em aumentar a produção quando percebem que pode ocorrer um desequilíbrio no mercado. O gerente da APAC salientou que o produtor de orgânicos sempre trabalha com rentabilidade positiva e não corre o risco de intoxicação na propriedade, porque não aplica nenhum tipo de agrotóxico.


