A pesquisa caminha junto aos produtores paranaenses. Os índices de produtividade são a prova mais concreta de que as instituições públicas e privadas conseguem cumprir seu papel de disseminar as tecnologias ao homem do campo, sendo inegável tal evolução nas últimas décadas, inclusive no que diz respeito a agricultura familiar, grande base do agronegócio do Estado.
O coordenador da área de Socioeconomia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Dimas Soares Junior, concorda com o progresso nítido, mas ressalva que ainda há um bom caminho a ser percorrido. "A evolução é verdadeira, mas existe uma percepção tanto por parte dos produtores como das instituições públicas que é preciso estreitar essa cooperação. Inclusive, no sentido de abreviar o período de tempo até que a tecnologia se transforme em inovação e, de fato, seja incorporada no processo produtivo das propriedades", avalia o pesquisador.
Nos últimos 30 anos, segundo Soares Junior, o Brasil consolidou tecnologias sólidas voltadas para agricultura, mas para fazer frente aos novos desafios é necessário melhorar os processos de inovação e trabalhar de uma forma mais articulada. "Os três pilares são pesquisa, produtores e assistência técnica. Cada um deles tem um papel a cumprir, mas precisam aperfeiçoar os mecanismos de articulação."
No que diz respeito a agricultura familiar, o pesquisador identifica esse mesmo processo, "em que pese todos os obstáculos que enfrentam dada a dificuldades de escalas de produção". "Eu acredito que os processos de mudança no padrão tecnológico alcançaram também os agricultores familiares."
Entretanto, Soares Junior também elenca os gargalos. Ele cita que a organização entre os produtores e a gestão precisam evoluir. Existem muitas ações que demandam a organização conjunta dos agricultores. "Cito o acesso de forma associativa a recursos como, por exemplo, a aquisição de maquinários para a colheita de café, já que a mão de obra atual é escassa. O mesmo vale para a comercialização. Hoje temos políticas públicas, os mercados institucionais como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) em que, necessariamente, os agricultores ganham mais para acessá-los do que de forma individualizada."
O pesquisador acredita que o produtor também deixa bastante a desejar a gestão, utilizando poucas ferramentas para organização da propriedade. "Quando eles começam a utilizar mecanismos de gestão, por mais simples que sejam, veem a importância deles. Não vejo complexidade neste sentido, mas há falta de hábitos e perceber a necessidade dessas ações."
Soares Junior também é coordenador das Redes de Referência da Agricultura Familiar, criadas com o intuito de apoiar o desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis para a agricultura familiar paranaense. Pesquisadores do Iapar e extensionistas do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) trabalharam com mais de 400 famílias de agricultores do Estado em 17 anos. Com o uso de metodologia de pesquisa e desenvolvimento (P&D), adaptada da experiência do Institut de l’Elevage, da França, foi possível validar e transferir tecnologias viáveis para os sistemas de produção estudados. Hoje, as redes estão em ritmo mais lento devido à falta de capital humano para o trabalho. "As redes mostram que com ações planejadas e apoio técnico é possível melhorar o desempenho das atividades rurais, inclusive com a gestão como elemento chave desse processo."

Imagem ilustrativa da imagem Produtores precisam estreitar relação com a pesquisa
| Foto: Zineb Benchekchou/Embrapa
Nos últimos 30 anos, o Brasil consolidou tecnologias voltadas para agricultura
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