Arquivo FolhaOs produtores preparam o solo mesmo sem a umidade necessária para seguir o período recomendadoA falta de chuva no Paraná já prejudica as lavouras de milho safrinha, podendo comprometer o plantio de trigo e outras culturas de inverno como cevada, centeio, pastagens. De acordo com informações do Serviço de Meteorologia do Paraná (Simepar), não há previsões de chuvas até domingo.
Na análise do agrônomo Agenor Santa Rita, do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, aproximadamente 35% do milho safrinha plantado no Estado já está perdido, e se a seca permanecer estes índices de perda podem ser maiores ainda. Os produtores que fizeram a opção para o trigo no inverno não estão esperando que chova para semear o solo. ‘‘A maioria quer garantir o Proagro e para isto tem que seguir o período recomendado. Se chover nos próximos dias, as lavouras podem se desenvolver sem problemas, mas o risco é grande’’, comenta o agrônomo.
As condições das pastagens em todo o Estado não são boas. E o plantio de pasto, que geralmente acontece no final do outono, não está sendo feito. Em consequência, a alimentação dos animais deverá ficar mais comprometida neste inverno, avalia o técnico.
Últimas chuvasAs últimas chuvas com boa intensidade que caíram no Paraná foram nos dias 14 e 15 de março (em torno de 40 milímetros). Portanto o período seco já dura um mês e meio. Juntando a falta de chuva com as temperaturas elevadas e sol forte durante 8 a 10 horas por dia, as condições de umidade dos solos são bastante ruins.
Nas áreas com sistema de plantio direto, com alguma cobertura de solo, a situação é um pouco melhor. Mas nos solos onde a soja foi colhida e está descoberto, o efeito da intensidade de sol tem sido danoso, comentou o agrônomo. As temperaturas vêm caindo lentamente no Estado. De manhã e à noite são registrados os índices mais baixos, e durante o dia o sol forte retira toda a umidade.
No início do ano (janeiro/fevereiro) chuvas intensas beneficiaram as lavouras de soja e milho, que se desenvolveram muito bem. O período de seca que começou em março beneficiou a colheita, mas a seca veio se agravando e os produtores podem enfrentar problemas daqui para frente.
Alerta de outonoNa avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para a região Sul do País, as condições dos oceanos indicam para no outono chuvas irregulares, com tendência, a longo prazo, de um inverno rigoroso, ou seja, seco e frio.
É prevista a chegada das massas de ar frio sobre a região, com baixas temperaturas e as primeiras geadas do ano, já a partir do mês de abril. Isto é o que vem acontecendo em algumas regiões do Paraná, onde têm ocorrido geadas fracas.
Para a região Sudeste, os encontros das massas de ar frio vindas do Sul com o ar úmido proveniente dos trópicos favorecerá a ocorrência de chuvas e ventos, pouco fortes, entre São Paulo, Sul de Minas e Rio de Janeiro.
Na região Centro-Oeste deverá chover ‘‘dentro do normal’’ no Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, com a presença de clima agradável. O Mato Grosso do Sul deverá apresentar chuvas irregulares. A partir de maio começa a fase seca, com valores de umidade relativa baixos, principalmente no Planalto Central.

mockup