Produtores pedem frigoríficos
Os embarques de carne bovina devem somar 1,6 milhão de toneladas e render US$ 2,2 bilhões neste ano, estimou esta semana o presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. Em 2003, os embarques atingiram 1,3 milhão de toneladas, que renderam US$ 1,5 bilhão ao País. Os números foram revisados para cima. ''No começo do ano, estimávamos aumento de 20% nas exportações, mas agora trabalhamos com expectativa de incremento de 30%'', disse.
Nas discussões sobre mercado os produtores sempre citam uma dificuldade: a concentração das vendas para um número reduzido de indústrias.
Os pecuaristas podem entrar com pedido de investigação para que os organismos de defesa da concorrência verifiquem se há concentração excessiva no comércio de bovinos, informou Nogueira. ''Há uma concentração perigosa, principalmente no que diz respeito à exportação'', explicou o representante dos pecuaristas. O argumento de Nogueira é que três frigoríficos respondem por 83% das exportações de carne bovina do País, vendas que renderam US$ 2,057 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses, entre agosto de 2003 e julho de 2004.
A CNA reclama que parte dos lucros das vendas externas não chega ao bolso do pecuarista. ''O setor está desestimulado'', disse. Nogueira explicou que os frigoríficos exportadores vendem cortes nobres, que podem custar US$ 3.700 por tonelada, no caso de embarques para a União Européia. Os cortes restantes são comercializados no mercado interno. ''Ao vender no exterior a preços elevados, os frigoríficos podem subsidiar as vendas no mercado interno'', afirmou. ''Quem só trabalha com mercado interno não tem essa possibilidade'', completou.
Analistas citam o Bertin, Friboi e Independência como os principais exportadores de carne bovina. Nogueira não quis confirmar os nomes das empresas, mas disse que a consultoria jurídica da CNA está analisando o assunto e definirá o que pode ser feito. Questionado se a ação seria movida no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Nogueira limitou-se a dizer que ''se for esse o órgão adequado, iremos até ele''.
Volume de exportações - No acumulado de janeiro a julho de 2004, as exportações de carne bovina somaram 964.964 toneladas, crescimento de 32,81% na comparação com igual período de 2003. Em valores, as vendas externas renderam US$ 1,313 bilhão no acumulado do ano, crescimento de 71,49% em comparação com o resultado dos sete primeiros meses de 2003.
As exportações para Rússia, Chile e União Européia cresceram acima do esperado, informou o assessor do departamento econômico da CNA, Paulo Mustefaga, ao justificar a revisão nas estimativas. No caso da Rússia, que fixou cotas para importação, o Brasil exportou 74 mil toneladas de carne bovina. O Brasil foi incluído na categoria de ''outros países'', por isso disputa com outros fornecedores a venda de 68 mil toneladas para a Rússia.
O volume embarcado até agora supera a cota. ''Problemas sanitários nos Estados Unidos levam a Rússia a comprar de outros fornecedores e o Brasil tem se aproveitado da situação'', disse Mustefaga.
A CNA defendeu a continuidade das negociações para abrir mercados que pagam mais pela carne bovina, como Estados Unidos e Japão.(Agência Estado).





