Produtores: otimismo em meio às adversidades
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sábado, 12 de janeiro de 2019
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

O produtor rural, antes de tudo, é um otimista. E apesar de algumas situações de quebra de safra no milho safrinha, prejuízos com a greve dos caminhoneiros e até preços das commodities que não acompanharam o valor dos insumos em 2018, eles já olham para este ano com esperança de um novo cenário, principalmente devido à troca dos governos federal e estadual.
E vale dizer que a safra atual de soja não está em bom momento, principalmente na região Oeste e Sudoeste. Levantamento desta semana do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná) relata que 12% das áreas estaduais estão em condições ruins. Ainda é difícil prever o tamanho da quebra, que certamente vai ocorrer. O relatório detalhado da safra será publicado na última semana de janeiro, mas uma estimativa extraoficial projeta quebra superior a 30% em algumas áreas de ambas as regiões.
No distrito de Paiquerê, os irmão Sinésio e José Aparecido de Sousa fazem agricultura há décadas. Somando as áreas próprias e arrendadas, são 78,5 alqueires em que há dedicação total aos grãos. Na safra passada, a soja fechou em 150 sacas por alqueire. Para esta safra que está no campo (2018/19), Sinésio prefere não arriscar projeções, mas está empolgado. "Tivemos um atraso no plantio devido à chuva, mas fizemos tudo que precisava para bons resultados, incluindo investimento em adubação e sementes."
Questionado sobre este novo momento que o País vive - que pode refletir diretamente no agronegócio - ele espera "que este novo governo abra uma luz, porque do jeito que está é duro". "O agricultor está sempre pensando no ano seguinte, mas torço que essa virada do governo seja positiva para nós", complementa.
Os irmãos Odair e Sérgio Favali também estão na mesma pegada dos irmãos Sousa. Com uma área que totaliza 600 alqueires entre Cambé, Sertaneja e Londrina, focada em grãos, eles fecharam a safra de soja passada em 138 sacos por alqueire, enquanto o milho safrinha foi pior devido à seca: 120 sacas por alqueire. "Agora nossa soja está em 50% em fase inicial e outros 50% em maturação. Perdemos um pouco por causa da seca, mas se tivermos chuvas daqui em diante, teremos uma boa produtividade", explica Odair.
Ele, aliás, olha os últimos anos com certo pesar, principalmente pelo aumento dos custos para se fazer uma safra de qualidade. Nesse período, ele relata que os preços de comercialização não aumentaram como ocorreu, por exemplo, com os gastos com combustível, defensivos e fertilizantes. "Os insumos subiram 50%, 60% nos últimos três anos. Uma tonelada de adubo eu pagava R$ 700 e agora está R$ 1,8 mil. Ureia saltou de R$ 1,2 mil para R$ 2,3 mil. Já a saca de soja faz três anos que está na casa dos R$ 70", lamenta.
Para o produtor, este é o momento de colocar "a casa em ordem", principalmente na questão de estabilidade nos custos e juros, além da recuperação de preços do seu produto. "Muita coisa já passou, chegamos ao fundo do poço no País, e agora é hora de subir de volta. A gente pensa em trabalhar, produzir, colher, e é isso que vamos fazer." (V.L.)


