Carlópolis- Os produtores de goiaba de Carlópolis (80 km ao sul de Jacarezinho) comemoram a recuperação da produção e na lucratividade com a fruta. Em 2000 as plantações foram atingidas por geadas e a produção ficou abaixo do esperado. Em 2001 foram colhidas no município cerca de 300 mil caixas, o equivalente a 900 mil quilos. Em 2002 a expectativa é que sejam produzidas 500 mil caixas, ou 1,5 mil toneladas (1,5 milhão de quilos).
A estimativa da Associação dos Produtores Hortifruti de Carlópolis (APC) é colher cerca de 25 mil caixas por mês no primeiro semestre desse ano. Já no segundo semestre devido ao clima, com queda de temperatura, a produtividade fica menor. Nesse período a expectativa é colher 30% a menos.
Colheita mensalO ciclo de produção da goiaba é de oito meses, mas as colheitas são realizadas mensalmente graças ao sistema de poda continuada, em que os produtores estabelecem um cronograma de colheita por meio da manutenção de vários lotes de árvores em diferentes estágios. Este sistema permite a produção durante o ano todo.
Nas áreas cultivadas predomina o sistema semi-adensado em que o espaço entre as árvores é reduzido para aumentar a rentabilidade. Em média são cultivadas 300 goiabeiras por hectare e a produção de cada árvore, conforme a idade da planta, é de 500 a 1000 frutas/ano. A goiaba é comercializada por valores entre R$ 1,30 a R$ 1,60 o quilo em média.
O lucro médio dos produtores estimado pela APC em 10% sobre o investimento do produtor é considerado razoável, mas a maioria dos agricultores utiliza a diversificação dos produtos e a mão-de-obra familiar para aumentar os rendimentos.
Capricho na produção No município os fruticultores optaram pela variedade Iwao, desenvolvida e patenteada por um dos produtores da região. A variedade, garantem os produtores, é mais resistente, com uma coloração mais intensa e um teor de açúcar acentuado.
A goiaba produzida é considerada como ‘‘semi-orgânica’’, segundo os membros da APC. As propriedades estão em fase de incorporação do sistema orgânico de cultivo, mas ainda faltam alguns ajustes, como suspender a utilização de produtos químicos em determinadas etapas da produção. Em muitas propriedades a adubação é feita por meio de compostagem (adubo orgânico) e a pulverização com caldas com destaque para a bordolesa. Outro cuidado dos produtores é com a proteção das frutas (com sacos de papel) antes da colheita para evitar ataque de insetos e depreciação na aparência.
O presidente da APC Ilésio Fernandes Machado disse que o sistema ‘‘semi-orgânico’’ diminuiu os custos de produção, aumentou a rentabilidade das áreas e reduziu a agressão ao meio ambiente com o menor uso de produtos químicos. O objetivo, segundo Machado, é alcançar o sistema orgânico em todo o processo. Ele admite, no entanto, que apesar do esforço concentrado da APC e da Emater-PR, a incorporação do sistema é gradativa e só pode ser implementada com a conscientização dos produtores.
Produtor satisfeito A família do produtor Leonardo Sugimura cultiva goiabas desde 1987. Numa área de 3,5 alqueires Siguma mantém 1.300 pés de goiaba e uma produção média de cinco a oito mil caixas por mês. Para todo o manejo emprega 10 pessoas. Ele está animado com os resultados obtidos na implantação do sistema orgânico.
O produtor disse que com a assistência técnica da Emater aprendeu a utilizar produtos naturais como a compostagem e pulverização de caldas e abandonou os produtos químicos. ‘‘Na área da propriedade não temos problemas com insetos e o custo de produção caiu bastante porque temos plantas resistentes,’’ afirmou.
Noburo Saíto, outro agricultor que planta goiaba há 10 anos está apostando na diversificação e cultivando também o maracujá doce. ‘‘Para garantir o rendimento preciso diversificar,’’ afirmou. Saíto está entusiasmado e explica que os lucros podem chegar até a 20% do capital investido com a comercialização por meio da APC.

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