Produtores marcham a Brasília
Da Redação
O Parque Governador Ney Braga, em Londrina, sede da Sociedade Rural do Paraná (SRP), é o ponto de encontro de aproximadamente mil produtores rurais que seguirão para Brasília, no caminhonaço organizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com chegada prevista para depois de amanhã (dia 16), à Capital Federal. O objetivo do protesto é garantir o direito à propriedade, parcelar o endividamento agrícola e conseguir incremento da renda rural.
Em Londrina houve manifestação ontem (dia 13), na Sociedade Rural e os produtores viajam hoje (14) de manhã para São José do Rio Preto, SP, de onde seguem para Brasília.
EndividamentoLembra o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, que o endividamento agrícola vem se agravando desde o Plano Collor. A correção do débito naquela época foi em torno de 80% e a do produto, na faixa de 40%. Do dia para noite, os produtores ficaram devendo um absurdo, lembra Galli. Com o Plano Real, a situação agravou-se ainda mais, disse o presidente. Os preços dos produtos agrícolas foram congelados com a URV (Unidade Real de Valor) e as dívidas tiveram a correção de acordo com a inflação. Hoje, o endividamento no País chega a R$7 bilhões.
Galli ressalva que o setor não quer o perdão da dívida, mas sim um prazo maior para pagamento e um abatimento de 48%. O prazo para quitação das dívidas era de sete anos, mas os produtores argumentam que não têm condições de pagar, devido à desvalorização dos produtos, juros altos e dos planos econômicos que inviabilizaram a rentabilidade da agricultura.
A primeira parcela, que vencia em 1996, já foi transferida para 2003. A terceira vencerá em outubro e não temos condições de pagar também, pois mal está dando para arcar com o custeio, acrescenta o diretor-secretário da SRP, Arnaldo Coelho do Amaral Filho. Os produtores querem agora 20 anos para quitar esta dívida, com quatro anos de carência.
Quanto à falta de rentabilidade no setor, os produtores se queixam da tributação excessiva, juros incompatíveis e insuficiência de crédito. Galli lembra que em 98, por exemplo, muitos agricultores não conseguiram dinheiro no banco e tiveram que fazer contratos em dólar. Devido à alta do dólar no início do ano, tiveram suas dívidas corrigidas absurdamente e não podem pagar também. Se tivessem tido acesso a financiamento em real, não teria acontecido isso, reforça o presidente.





