Produtores livres do lixo tóxico
Produtores livres
do lixo tóxico
Inaugurado posto de recebimento de embalagens usadas de agrotóxicos no município de Cambé
Cristina Côrtes
SoluçãoO Depósito Intermediário de Emabalagens de Agrotóxicos foi construído com o apoio de toda a comunidadeUma vitória da comunidade e dos produtores da região. Assim as lideranças do município de Cambé, município próximo de Londrina, no Norte do Estado, analisam a inauguração, no início desta semana, do Depósito Intermediário de Embalagens de Agrotóxicos. Agora todos os vasilhames acumulados nas propriedades rurais poderão ir para o depósito, onde os fabricantes de veneno deverão buscá-las para a destinação final.
As embalagens plásticas são a maioria e as mais difíceis de reciclagem, por causa dos resíduosO acordo entre as partes - produtores, entidades ambientais, Ministério Público, Sindicato Nacional das Indústrias de Agrotóxicos, Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e Secretaria da Agricultura - foi assinado em fevereiro deste ano. Ficou acertado que cada participante assumiria suas responsabilidades. Os produtores devem fazer a tríplice lavagem das embalagens, a Prefeitura ficou de construir o depósito, a Emater deve orientar produtores sobre preparo e armazenamento, o Instituto Ambiental do Paraná (Iap) deve fiscalizar as ações e os fabricantes de veneno devem cuidar da destinação final dos vasilhames.
O promotor do Meio Ambiente, Miguel Sogaiar, diz que o Ministério Público vai estar atento ao cumprimento do acordoCom o início do funcionamento do depósito, localizado na área do aterro sanitário localizado no km 6 da Estrada da Prata, foi concretizada uma parte da negociação. Segundo o presidente do Conselho Municipal de Agricultura de Cambé, Carlos Alberto Abudi, a expectativa agora é que as indústrias também cumpram o que foi assinado.
Lixo acumuladoAtualmente é grande a quantidade de lixo acumulado na maioria das propriedades rurais do Estado. Só no município de Cambé estima-se que são consumidos anualmente 400 mil litros de agrotóxicos, o que deve resultar em 60 mil embalagens de 1 litro e 30 mil embalagens de 20 litros. Muita coisa está estocada pelos produtores, que devem começar a se desfazer delas paulatinamente. Segundo Carlos Abudi, em 15 ou 20 dias o depósito de 120 metros quadrados deverá estar lotado.
A previsão é de que em 20 dias o depósito já esteja lotado, porque tem muita embalagem acumulada nas propriedadesA maioria dos produtores está recebendo orientações sobre a tríplice lavagem, porque no depósito não serão aceitos vasilhames com resíduos e também produtos como BHC que se encontram armazenados em algumas propriedades, depois de sua proibição.
Segundo o chefe regional do Iap em Londrina, Nelson Santos Pereira, a instalação do depósito está dentro das normas ambientais, que exigem todo o cuidado para não comprometer as áreas próximas.
O depósito tem 120 metros quadrados e foi construído com recursos da Prefeitura de CambéO acordo firmado em Cambé é inédito no Estado e já está sendo seguido por outras comunidades interessadas em resolver este problema. Para o promotor do meio ambiente, Miguel Jorge Sogaiar, que conduziu as negociações, a iniciativa da comunidade, de procurar a Justiça em busca de solução, deve ser um exemplo a ser seguido. O Ministério Público estará atento para o cumprimento deste acordo, pois se trata da preservação da vida. Se as empresas fabricantes não cumprirem sua parte, serão multadas e terão que assumir mais este ônus, diz Sogaiar.
Destinação finalA polêmica sobre a destinação final destes vasilhames é grande no Estado, porque o Paraná é um dos maiores consumidores deste tipo de defensivos, devido à agricultura tecnificada praticada pela maioria dos produtores. O trabalho de conscientização dos produtores começou há alguns anos, mas ainda tem muita gente que acaba jogando o lixo nos fundos dos vales, por falta de opção do que fazer com ele.
Em alguns municípios, como Palotina e Santa Terezinha de Itaipu, existem unidades de recebimento. Elas enfrentam problemas a respeito do que fazer com esse lixo depois. Segundo o agrônomo da Secretaria do Meio Ambiente em Ponta Grossa, Cyrus Augustus Daldin, ainda não existe no Paraná nenhuma indústria licenciada para manipular e reciclar as embalagens. Para fazer este tipo de trabalho é necessária toda uma infra-estrutura para tratamento dos resíduos que não podem ser jogados no meio ambiente, diz Cyrus.
O técnico explica também que as embalagens estão acumuladas nesses depósitos, porque só recentemente foi normatizado o transporte dessas embalegens.
A reutilização destes materiais também gera controvérsias. Alguns técnicos argumentam que a reciclagem pode ser feita sem problemas, para a fabricação conduites, abas de bonés e mangueiras. Outros defendem que o reaproveitamento deveria ser feito somente pelas próprias indústrias de veneno, como prevê a legislação, no Artigo 45, Parágrafo Único, do Decreto nº 98.816 de 11/01.90.
Segundo Cyrus o problema maior é com o reaproveitamento do plástico, que é a maatéria-prima da maioria das embalagens. O vidro e o ferro são mais fáceis de reciclar, diz ele.





