Produtores já negociam a safra 2016/17
Estratégias para uma melhor comercialização também foram destaque no BelaSafra 2016. Pensando num cenário mundial, nota-se que os preços dos grãos sofreram uma forte retração nos mercados internacionais que, felizmente para os produtores brasileiros, foi atenuada pela intensa valorização do dólar frente ao real. Como a economia deve permanecer instável neste ano, muitos produtores aproveitaram para fechar negócios durante o evento no chamado Balcão de Negócios, trocando antecipadamente a safra 2016/17 por insumos e produtos, tipo de negociação conhecida como barter. De acordo com números da Belagrícola, o volume de negócios no evento atingiu ficou acima de R$ 200 milhões neste ano. No Brasil, as estimativas de movimentação neste tipo de comercialização já passam de R$ 3 bilhões.
O vice-presidente da Belagrícola, Flávio Andreo, disse que o barter é das operações mais seguras e confortáveis para todos os envolvidos na cadeia produtiva. "Quando fecha um contrato de barter, o agricultor deixa de lado sua preocupação com vários fatores, como preços de grãos, taxa de juros, dólar; a trava de custo de produção proporciona essa segurança. Ele já sabe, na hora, quanto vale a sua safra mesmo antes da colheita. De posse desta informação, pode negociar como achar melhor com a empresa que confia."
O gerente de estratégia comercial da Belagrícola, Francisco Sampaio, explicou que a relação de troca conquistada pelos clientes da empresa foi bastante similar a 2015. "Foi um momento fantástico para que os produtores fizessem o travamento dos custos e especulassem o lucro. Entendemos que essa volatilidade do dólar pode trazer consequências negativas nos próximos meses, pois o preço da soja no mercado internacional está em queda, já que estamos num cenário de estoques elevados. Por isso, nada mais interessante do que fechar negócios neste momento ainda positivo."
O produtor José Carneiro, de Cornélio Procópio, planta soja, milho e trigo em uma área de 600 hectares. Há três anos ele participa do BelaSafra e tem escolhido o evento para comercializar toda a sua safra. "Tenho fechado tudo, 100%. Acho vantajoso você ter uma garantia já no momento do negócio. Em 2015, por exemplo, a soja estava a R$ 55 e fechei a R$ 66. Não tinha negócio melhor."
Gilberto Ochikubo, de Sertaneja, também tem realizado ótimos negócios com a soja que planta em uma área de 600 hectares. "Com certeza é uma boa oportunidade para quem precisa antecipar a safra. É uma garantia de preço que a gente tem. Eu mesmo não vou só um dia. Vou pelo menos em dois dias e sempre fecho bons contratos." (V.L.)





