Produtores investem no orgânico
Cláudia Barberato
A Cooperativa de Cruz Machado, na região Sul do Paraná, no município de Cruz Machado, tem 157 associados e pode ser considerada uma das menores do Estado em número de produtores. É também uma das mais novas: foi fundada em 1992. Os associados produzem o feijão e o milho, que serve mais para consumo nas propriedades. Estas normalmente têm algum gado de leite ou granja de suínos, e o milho é destinado para alimentação desses animais.
O feijão é hoje a maior fonte de renda daqueles produtores, que na maioria são pequenos, com áreas de até 24 hectares. Há também pequenas áreas de arroz. Mas é a cultura do feijão orgânico, incentivada pela cooperativa, que deverá mudar o perfil dos produtores. A gerente administrativa da Coopercruz, Ruth Iatskiu, garante que a produção orgânica de feijão, plantado sem adubo químico, deverá ser ampliada ainda mais na safra 1999/2000.
Na última safra foram produzidos 1.200 sacos do feijão preto orgânico. Foi também plantado feijão adzuki, incentivado como nova fonte de renda para os produtores. Do adzuki já foram colhidos cerca de 500 sacos. Tanto o feijão preto quanto o adzuki, foram comercializados por uma empresa de produtos orgânicos de Curitiba.
Produção pioneiraA opção de produzir sem químicos começou em 1997. Na safra seguinte, 1998/1999, houve maior incentivo e, consequentemente, maior área de plantio. Na safra 1999/2000 o objetivo é triplicar a produção, afirma Ruth. O plantio deverá englobar, além do feijão preto e o adzuki, o feijão bolinha ou minduim.
Hoje há mercado garantido para produtos do tipo orgânico e muitas empresas estão se dedicando a esta produção, principalmente na área de hortaliças. Mas, acredito que em feijão a Coopercruz deve ser a pioneira, garante a gerente da cooperativa.
ParceriasOs produtores pretendem, a curto prazo, segundo Ruth, conseguir registro de produção orgânica para seus produtos. O objetivo é industrializá-los, para obter maior lucratividade. Para isso, de acordo com Ruth, será preciso a parceria com associações e Governo, através do Pronaf, por exemplo, para fazer os investimentos necessários para processamento e industrilização do feijão.
Com isso produtores de outros municípios vizinhos (Bituruna, União da Vitória, Pinhão, Inácio Martins, Malé e outros) deverão aderir à produção orgânica. Desses municípios, somente Bituruna tem uma cooperativa, a Coabil.
Antes da Coopercruz, a cidade de Cruz Machado teve uma cooperativa, a Coopercanoinhas, que fechou nos anos 90. Os produtores resolveram comprar a estrutura e fundar uma nova empresa. O objetivo era se libertar de atravessadores que acabavam pagando pouco pela produção e inviabilizando muitas propriedades.
Boas áreasSegundo Ruth, a região tem áreas propícias para o cultivo do feijão orgânico, com terrenos de serra, baixadas, montanhas, onde os produtores roçam a capoeira (mato) e plantam o feijão sem uso de agrotóxico ou adubo químico para limpar a área. O local é limpo apenas na enxada, com roçadas.
Como a terra é fértil e fresca, garante Ruth, a produção do feijão sem químicos é igual à de lavouras com uso de adubos e outros produtos. A produtividade, tanto para o feijão preto como para o adzuki, fica na média de 1.200 kg (20 sacas) por hectare.
Preço compensadorNo caso do adzuki há uma particularidade: o feijão para exportação deverá ser plantado numa área onde, por dois anos, não houve uso de produtos químicos. Fazendo isso, o produto vira tipo exportação e consegue-se de U$40 a U$50 pela saca de 60 kg. E pode ser plantado também em áreas de terra de baixa fertilidade, desde que sejam obedecidos os padrões do mercado internacional. No mercado o preço do feijão preto orgânico, conforme Ruth, chega a ser 30% superior.
Este ano, segundo a gerente da cooperativa, como não foi respeitada a exigência de dois anos de área sem químico para o cultivo do adzuki, os produtores deverão comercializar o feijão, a saca de 60 kg, a R$60,00. Na próxima safra, obedecendo o padrão, os produtores deverão conseguir preços mais compensadores ainda e vender no mercado externo.





