Produtores investem em algodão orgânico
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sexta-feira, 05 de maio de 2006
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Um projeto de produção de algodão orgânico vem sendo desenvolvido pela Coagel Cooperativa Agroindustrial, de Goioerê, como alternativa para a retomada da cultura na região. O trabalho, segundo o presidente da cooperativa, Osmar Pomine, teve início no ano passado e envolve 15 pequenos produtores do município de Moreira Sales, com áreas de cultivo variando entre um e dois alqueires. O produto já tem comprador certo, a indústria têxtil da França. Apostamos na tradição da cultura aqui na região e de um mercado promissor, resume Pomine.
Já estávamos de olho nesse mercado, quando nos apresentaram uma proposta interessante, diz ele, referindo-se ao contato com o grupo francês que irá levar a produção e que está acompanhando de perto todo o processo produtivo. A cada 60 dias recebemos o pessoal da França que visita até mesmo as lavouras, afirma. Os compradores seguem regras de um sistema nomeado como Mercado Justo. É uma ação social de países desenvolvidos para com os países de terceiro mundo, explica Geraldo Benetone, gerente comercial da cooperativa que coordena o grupo de cotonicultores.
O projeto, continua Benetone, é voltado à famílias de pequenos agricultores que moram na propriedade e prevê a remuneração de todos os elos da cadeia produtiva. Entre as regras estão as boas práticas da agricultura, preservação do meio ambiente, a não exploração do trabalho infantil e freqüência escolar das crianças.
Além dos cuidados na condução da lavoura, os produtores envolvidos receberam treinamento específico para a colheita. Foram utilizados fardos especiais com fundo lonado para impedir o contato da pluma com o solo. As famílias cuidaram pessoalmente da colheita, promovendo até mesmo mutirões com outros envolvidos. A qualidade do produto foi superior à esperada: a maioria do algodão recebeu classificação 5,5, quando o índice determinado era 6, destaca Geraldo Benetone, lembrando que a classificação da pluma de boa qualidade varia entre os tipos 5 e 7.
O presidente da cooperativa, Osmar Pomine, informa que além da assistência técnica aos produtores, o fornecimento de sementes sem tratamento químico, a cooperativa adotou cuidados especiais para o recebimento e o beneficiamento da pluma. O beneficiamento irá ocorrer após o trabalho com o algodão convencional. Todo o equipamento deverá ser limpo para evitar riscos de contaminação. Já estávamos processando lotes de algodão orgânico vindos de uma cidade vizinha, agora vamos aproveitar o sistema.
Os contratos de compra contam também com bonificações especiais para o produto. O preço de mercado do produto está em média R$ 13,40/arroba, já para o produto orgânico está sendo fechado a R$ 20,00/arroba. Se no final do ciclo o preço melhorar mais esse valores também serão repassados, garante Pomine.


