MigrandoVagner Isidoro, de Taquaruna: levando o gado para pastar em área públicaA cena se repete nos últimos 35 dias: toda manhã Vagner Isidoro do Nascimento, 14 anos, conduz o pequeno rebanho para pastar no corredor da Prefeitura, como é conhecida a estrada de chão batido que liga os patrimônios de Taquaruna a Irerê, na zona rural de Londrina. ‘‘A gente faz isso porque o pasto lá da chácara não está bom’’, explica Vagner.
Na chácara Taquaruna, a família Nascimento cria 10 animais (entre vacas leiteiras, bois, burro e cavalo). E na hora em que o pasto do corredor também acabar? ‘‘Bem, aí a gente leva o gado para um lugar mais longe, onde tenha pasto, seja lá onde for’’, assegura Vagner Isidoro do Nascimento, estudante da 5ª série primária. No final da tarde, ele vai ao corredor buscar os animais.
‘‘O pasto está feio demais’’, diz o sitiante Jorge Aparecido Martins
A família Nascimento, assim como outros pequenos produtores, improvisa alternativas para alimentar o gado quando falta alimento. Apesar de saberem que mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor intensidade, todo ano a estiagem se repete, eles têm dificuldade de se prepararem ou planejarem para enfrentar o problema.
Pouca alternativaA alternativa de Maria Buava de Lara, dona da Chácara Nossa Senhora Aparecida, de 12 hectares, localizada no patrimônio Guaravera, é alimentar o gado com palha de milho ou napiê misturado com cana.
‘‘Se tem milho sobrando, a gente também mói, para dar para o gado’’, conta Maria de Lara. Recentemente, um bezerro e duas vacas leiteiras morreram na chácara, mas ela não sabe dizer de que doença. ‘‘Só sei que na época da brota do capim alguns animais são atacados por diarréia’’, lembra.
Warren NabucoMilho também é alimento para o gado na chácara de Maria de Lara, em Guaravera
Jorge Aparecido Martins, do Sítio Martins, que fica na localidade conhecida como Três Bocas, encontrou uma alternativa um pouco parecida com a da família Nascimento, de Taquaruna, para alimentar o gado. Mas, ao contrário do adolescente Vagner Isidoro, Jorge Aparecido, 28 anos, vai sozinho para a beira da estrada, corta o capim e retorna com o alimento para o gado.
Na Chácara Martins ele cria oito vacas leiteiras, duas das quais estão produzindo nove litros de leite por dia. ‘‘O pasto daqui está feio demais’’, lastima Jorge Aparecido. Outra alternativa encontrada por ele foi levar os animais para pastar num brejão ao lado do Rio Três Bocas. ‘‘Pelo menos lá ainda tem um pouco de capituva’’, diz.Capituva, explica Aparecido, é o ‘‘capim que nasce no brejo’’. (N.R.:Ver, na Folha Rural 1054, págs. 6 e 7 - ‘‘O capim do rio também alimenta o gado’’).
Esperando o invernoMas Jorge Aparecido está preocupado mesmo é com a chegada do inverno. Com receio de que o pasto acabe de vez nas proximidades, ele plantou 2,4 ha de milho. ‘‘Acho que esse milho vai dar para alimentar as vacas, um burro, uma égua e os porcos’’, acredita. Atualmente, a ração dos porcos está sendo feita com mandioca.
O milho, porém, precisa antes ser triturado. Ocorre que Jorge Aparecido ainda não tem a máquina de triturar. No inverno passado, ele e o pai, José Martins, alimentaram o gado apenas com o capim que conseguiam na beira das estradas. A diferença é que eles só tinham duas vacas. Aparecido calcula que a máquina de triturar custa entre R$ 400,00 e R$ 500,00.
O proprietário da Fazenda Novo Horizonte, localizada na região do Rio Apertado, já está tomando alguns cuidados para enfrentar o inverno. O responsável pelo rebanho da propriedade, Ivanil de Paula, diz que parte do rebanho foi levado para outra propriedade, o Sítio São José, onde o pasto está bom. Isso já faz uns 15 dias. E há mais de um mês não chove na região.
Na Novo Horizonte, de 45 alqueires, o gado que ficou está sendo alimentado com napiê misturado com cana. Ele diz que o gado não consome o napiê puro. ‘‘Estamos esperando chover, para plantar aveia e alimentar o gado durante o frio’’, diz Ivanil de Paula. O pasto, segundo ele, só começa a melhorar a partir do mês de agosto. Farelo de soja, misturado com milho, também tem sido usado por alguns pecuaristas, para alimentar o gado na estiagem.

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