Produtores estão tristes e decepcionados
Lavouras de soja praticamente mortas, grãos minúsculos, com nenhum valor comercial, e muita tristeza e decepção no rosto dos produtores. Este é o cenário no distrito de São Martinho, em Rolândia, região Norte do Paraná. Aqueles produtores que plantaram entre 1º e 5 de outubro de 2013 até conseguiram bons resultados, com queda na produtividade de "apenas" 20%. Já os sojicultores que seguiram o cronograma de plantar até o final de outubro do ano passado tiveram quebras superiores a 30%.
O engenheiro agrônomo da cooperativa Integrada Alexandre Semensato conta que esta soja mais tardia deveria ser colhida apenas no dia 15 de março. "Na verdade, ela não madurou e está morrendo. Os produtores estão colhendo agora para não perder tudo. Inclusive, como não há máquinas suficientes, eles vão perdendo mais dia após dia", relata.
O sojicultor Valdir Mantovani plantou 150 alqueires de soja entre os dias 8 de outubro e 6 de novembro de 2013. Ele imagina uma quebra de produção em torno de 40%, com produtividade caindo de 150 sacas por alqueire para 80 sacas por alqueire em algumas áreas. "Planto desde 1975 e nunca vi um clima como esse. O nosso salário vem da safra de verão e por isso ficamos receosos."
A preocupação é tão grande que o produtor já acionou o seguro rural, que cobre as áreas que ficarem abaixo de 60 sacas por alqueire. Entretanto, nem com o seguro ele se sente confortável. "Na safrinha passada, acionei-o devido a geada, passei pela perícia, e até agora não recebi. Se eles não terminaram de pagar os produtores no inverno, fico pensando se vou receber agora. Por isso, ainda não sei se vou apostar no milho. Não posso fazer novas dívidas", salienta ele, que na safra passada de inverno teve quebra de 50% no milho e 70% no trigo.
Já o produtor Edir Festi plantou soja em 100 alqueires entre 8 e 25 de outubro do ano passado. Nessa área mais tardia, ele espera quebra de 40%. "O calor foi tão forte que onde plantei mais cedo também perdi em torno de 20%. Sou produtor há 33 anos e nunca tinha visto algo assim. Espero que haja uma compensação no preço para não perdermos tanto", projeta ele, que irá apostar no trigo na safra de inverno. (V.L.)





