Produtores esperam um ano melhor
Este ano deverá ser marcado por um processo de soluções negociadas entre iniciativa privada, governo e Congresso, à procura de saídas para as adversidades enfrentadas pelo País, acredita o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanello, também admite as dificuldades que deverão persistir em 1999, mas acredita que será um ano de consolidação de uma política agrícola de médio e longo prazo, devendo fortalecer o setor daqui para frente.
No ano passado os agricultores de todo o Brasil sofreram com a escassez de recursos e dos juros altos. O quadro foi agravado pelo atraso nas reformas fiscal, tributária, administrativa, previdenciária e trabalhista, o que resultou no baixo desempenho do setor agrícola, resumiu Koslovski. Ele afirmou que a política de juros altos é incompatível com a rentabilidade do setor. Além disso, a prática irreal da taxa de câmbio, que privilegiou a entrada de produtos estrangeiros, prejudicou e desestruturou o setor produtivo, com graves consequências no nível de emprego, acrescentou.
ArquivoStefanelo prevê a duplicação, a curto prazo, da produção de grãos no BrasilNa avaliação de Koslovski, a pressa do governo em querer modernizar o País contribuiu para que inúmeras empresas entrassem em dificuldades. Elas não tinham condições de competir em setores altamente significativos para a economia brasileira. Acredito que faltou abertura por parte do governo em discutir com os setores envolvidos na busca de caminhos para superação das dificuldades.
ReaquecimentoKoslovski disse que, se as propostas apresentadas pelo Fórum Nacional da Agricultura e do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP), forem implementadas, será o início do reaquecimento da economia brasileira. Essas propostas deverão ser executadas pelo Conselho Nacional do Agronegócio (Consagro), constituído pelas entidades governamentais, privadas e parlamentares. As propostas do PBQP visam ampliar as exportações até o ano 2.003 para US$100 bilhões. Somente no setor agrícola, as exportações seriam ampliadas de US$19 bilhões para US$45 bilhões, previu.
Eugênio Stefanelo, da Conab, acredita que em 1999 haverá um significativo avanço para o estabelecimento de uma política agrícola no Brasil. Ele acredita que, com isso, todo o potencial agrícola poderá ser explorado com o uso de mais tecnologia, favorecendo a duplicação da produção de grãos, de 80 milhões de toneladas para 160 milhões de toneladas e ainda a duplicação da produção de carnes de bovinos e suinos. Segundo Stefanello, além do melhor uso da tecnologia, o potencial agrícola poderá ser melhor explorado através do cultivo de 120 milhões de hectares, ainda sem lavouras expressivas, dos quais 80 milhões de hectares estão na região do Cerrado.
Na previsão de Stefanelo, no ano que vem haverá a recuperação da safra de grãos, devendo ficar entre 82 milhões e 84 milhões de toneladas, se as condições de clima se mantiverem boas daqui para frente. Com isso, serão recuperados os estoques de arroz, feijão e milho, o que provocará uma redução das importações, situação que tranquilizará vários segmentos do mercado, explicou.
Importações x exportaçõesA Conab prevê que as importações de algodão serão reduzidas de 350 mil toneladas no ano passado (98), para 300 mil toneladas neste ano; as importações de arroz baixariam de 2 milhões de toneladas para 1 milhão de toneladas; as importações de milho cairiam de 1,5 milhão para 1 milhão de toneladas, e as importações de feijão cairiam de 160 mil para 100 mil toneladas.
Com a recuperação da produção, os preços estarão mais baixos neste ano, o que é um motivo de preocupação para os produtores, ressaltou Stefanello. Ele prevê também um ano difícil para as exportações, em função das dificuldades de colocação de produtos no mercado internacional. A queda de demanda da Ásia e Rússia e o protecionismo adotado pelos Estados Unidos e pelos países da Comunidade Econômica Européia, farão com que as exportações sejam mais difíceis ewm 99.
Stefanello disse que, para evitar dificuldades na comercialização da produção agrícola em 1999, tanto a Secretaria de Política Agricola do Ministério da Agricultura como a Conab estão se preparando para acionar os instrumentos disponíveis. Ele garantiu que as políticas de AGF, EGF, PEP e os contratos de opção de venda deverão ser utilizados, para evitar que os preços dos produtos caiam abaixo do preço mínimo. O presidente da Conab antecipou que o governo está preparado para intervir principalmente na comercialização de arroz e feijão. E também do milho e algodão cultivados na região Centro-Oeste do País, que poderão ter problemas de escoamento da produção.Koslovski: ano deverá ser marcado por negociações, à procura de soluções econômicasVânia Casado





