Produtores entram em 2014 com o pé direito
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sábado, 21 de dezembro de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Enquanto a população urbana espera as festas de final de ano para virar o calendário, 2014 já começou para os produtores brasileiros com o plantio da safra de verão. Para este ano safra, a expectativa é de manter um bom crescimento em produção e produtividade, já que o agricultor brasileiro está capitalizado e já se dispôs a investir em suas lavouras, como justifica Francisco Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Simioni recorda que os baixos estoques mundiais elevaram os preços das principais commodities agrícolas, ajudando a capitalizar principalmente os pequenos produtores. No Paraná, só a produção de soja, principal produto de cultivo no verão, deve crescer 4% em relação à safra 2012/13, com uma estimativa de 16,37 milhões de toneladas.
A tendência de plantio para a safra de verão, que é de substituição das áreas de milho pela oleaginosa, está se concretizando. Para o atual ciclo, a área destinada para o milho caiu 23% em relação ao mesmo período da safra passada, produto esse que tem migrado para a safra de inverno, substituindo as lavouras de trigo.
"A atividade agrícola tem se mostrado muito positiva nos últimos anos com tendência de mais crescimento", frisa Simioni. O chefe do Deral observa que o investimento em tecnologia e a adoção de novos sistemas de manejo são dois grandes fatores responsáveis por essas conquistas de aumento de produção e produtividade. Além disso, ele acrescenta que a assistência técnica é outra ferramenta que tem contribuído para o bom momento da agricultura brasileira.
João Kapsumi Nazima, produtor na região de Guaravera (Norte), está otimista com 2014, principalmente porque o clima está contribuindo para o bom andamento da safra. Neste ciclo, ele plantou 200 hectares de soja e espera colher, se o clima continuar bom, 12 mil sacas da oleaginosa. Em relação ao mercado, Nazima estima que os preços pagos aos produtores podem cair um pouco no próximo ano, mas ainda assim continuarão favoráveis.
Ainda em relação ao clima, o chefe do Deral, Francisco Simioni, acrescenta que para a safra 2013/14 tudo está correndo bem. Ou seja, chuvas regulares e temperaturas dentro da média esperada para esta época do ano. O especialista observa que os reais desafios hoje na produção de grãos são o controle de novas pragas e doenças e melhorias no sistema de logística para o escoamento da safra, que ainda gera grandes perdas para o agronegócio. "No caso da sanidade das lavouras, a pesquisa está ai para ajudar no controle de pragas e doenças", completa. O que falta, na avaliação dele, é melhorar a logística.
O terceiro grande desafio do agronegócio brasileiro está, na opinião de Simioni, em ampliar o sistema de agroindustrialização, que necessita de mais incentivos. O chefe do Deral revela que no Paraná esse processo está caminhando bem, mas ainda precisa de fomento. Com a iniciativa das cooperativas paranaenses, o Estado tem fabricado muitos produtos que podem ser encontrados no varejo, a exemplo do óleo de soja, suco de laranja, entre outros.
Retrospectiva
Para a produção de soja e milho, o ano foi muito bom, com altos índices de produção e produtividades. O mesmo não se pode dizer do trigo, que enfrentou uma forte geada no Estado no último inverno. "Porém, o bom preço da commodity compensou as perdas dos produtores", salienta o chefe do Deral. Segundo dados da instituição, o maior preço pago ao triticultor paranaense foi registrado em setembro, quando o valor médio da saca de 60 quilos alcançou R$ 49,04. O produtor João Kapsumi Nazima, que plantou trigo no último inverno, perdeu quase tudo devido à geada. "Como tinha feito seguro, o meu prejuízo não foi muito grande", destaca o produtor de Guaravera.
A mesma sorte não deu a cafeicultura paranaense que, além de ter sofrido com a geada do meio do ano, conta com preços muito baixos, fazendo com que muitos produtores desistissem da atividade em 2013. O menor preço do ano até agora foi registrado em novembro. O valor pago ao produtor pelo café beneficiado nesse mesmo período fechou a R$ 203,07, a um custo de produção variável de R$ 392,06 por saca.
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