Desde o início de agosto, o produtor Jean Pavinato está com o aviário vazio. O avicultor era integrado da Diplomata e deixou de receber frangos desde que a unidade de Londrina foi desativada em função da crise financeira enfrentada pela empresa. Com capacidade para alojar 20 mil aves, o avicultor busca firmar contrato com outras integradoras desde então, mas sem sucesso. "As empresas criam obstáculos alegando que não podem mais expandir a produção e, por isso, não estão incluindo novos aviários. As únicas propostas que recebi foram de empresas que não passam segurança quanto à remuneração", relata.
Pavinato explica que só conseguiu se manter durante esse período graças às atividades que desenvolve na cidade. O produtor construiu o aviário há dois anos e só não passou por mais dificuldades porque não havia feito financiamento. Segundo ele, a situação da empresa já não estava favorável há um ano e muitos produtores haviam migrado para outras integradoras. "Vou continuar procurando uma empresa para produzir, mas se não conseguir fechar contrato até o começo de 2013, penso na possibilidade de vender a propriedade", lamenta.
Por outro lado, o produtor João Paulo Britto, de Iguaraçu (Região Metropolitana de Maringá), não desanimou diante da crise no setor. A boa organização financeira da empresa permitiu que ele contornasse a situação de aumento dos custos. "A crise foi pontual e passageira, mas a situação já está melhorando com o aumento do preço do frango e deve melhorar ainda mais no próximo ano com a colheita da safra", avalia. Integrado da GTFoods há três anos, Britto mantém dois aviários em operação, cada um com capacidade de alojar 33 mil aves. O segundo barracão foi construído no início deste ano e, mesmo pagando o financiamento, o aumento do custo dos insumos não impediu a rentabilidade do produtor. Britto já está com o financiamento aprovado para construir um novo aviário em 2013 e pretende montar o quarto barracão já em 2014. "A avicultura é um bom negócio a longo prazo e já é possível cobrir os custos de instalação até dois anos antes do prazo de encerramento do financiamento. Optei pela atividade para produzir uma carne branca, mais saudável, com preço acessível e ciclo rápido de produção", argumenta.
De acordo com o zootecnista da GTFoods, Giancarlos Buranelo, a ração responde por cerca de 70% dos custos de produção. Segundo ele, a margem de lucro foi reduzida a zero durante os meses de crise, mas agora já está retornando aos patamares anteriores. Segundo ele, mesmo com a crise, a atividade continua crescendo na região. "Só em Iguaraçu, a empresa possui oito barracões sendo construídos, uma expansão de quase 15% na região", afirma. (M.F.)

Imagem ilustrativa da imagem Produtores enfrentam situações opostas
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