Produtor de mandioca há quatro décadas, Dionísio Heidemann, relata que sua família possui 130 alqueires do produto, boa parte localizada em Graciosa, distrito de Paranavaí. Ele confirma que atualmente a colheita é completamente inviável e "sinônimo de prejuízo".

Para tentar driblar essa situação, ele está segurando o produto na lavoura, mas que a maioria dos produtores não consegue realizar tal estratégia. "90% do pessoal trabalha com terras arrendadas, sendo que os contratos estão vencendo agora em março. É impossível prorrogar o arrendamento, já que os custos são muito altos. O jeito é colher e tentar pelo menos prorrogar os prazos de financiamento", relata Heidemann, que também é secretário da gestão atual da Associação dos Produtores de Mandioca de Paranavaí.

Já o produtor, Cleto Lanziani Janeiro, está colhendo em áreas arrendadas que totalizam 56 alqueires. Ele comenta que está vendendo para a indústria a um valor de R$ 170 a tonelada e que hoje acumula um prejuízo de R$ 7 mil por alqueire. "Só de arrendamento, são R$ 5 mil por alqueire. Somam-se a isso o custos da colheita, insumos, entre outros". Para o próximo ano, ele comenta que mesmo com a crise deve plantar a mesma área. "Não posso me dar ao luxo de não arrendar essas terras, porque surgem outras pessoas interessadas e eu acabo perdendo as áreas. Eu só trabalho com mandioca e essa é minha única alternativa. Eu gostaria que os preços do arrendamento caíssem, mas acho pouco provável, já que os donos das terras podem optar por trabalhar com gado e conseguir mais renda".

Na próxima quarta-feira, a Associação dos Produtores se reúne com a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), com sede em Paranavaí, com o intuito de discutir alternativas para atenuar a crise. A ideia inicial dos produtores é que a indústria possa pagar um pouco mais pela tonelada do produto. "Se não tivermos êxito na negociação, iremos parar a distribuição para as indústrias em forma de protesto pela situação", relata Heidemann.

Já o presidente da Abam, João Eduardo Pasquini, comenta que a entidade está trabalhando para exportar fécula de mandioca e "enxugar um pouco o mercado". "Nós nunca conseguimos concorrer com a Tailândia e por isso a exportação não era prioridade. Mas com a alta do dólar e a situação atual, estamos conversando com empresários para enviar pelo menos 20 mil toneladas para Estados Unidos, África do Sul e Europa. Outra estratégia está sendo a conversa com o governo federal, que pode nos ajudar comprando fécula e farinha, diminuindo o volume no mercado. Os produtores precisam entender que a situação é ruim para todo o setor e precisamos sentar em conjunto, nos unir, para atenuar esta situação", complementa. (V.L.)

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