Médicos veterinários da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) estão a caça de morcegos hematófagos Desmodus rotundus em Matelândia (80 quilômetros de Foz do Iguaçu). Das 21 mortes de animais vítimas de raiva transmitida pela espécie neste ano, no Paraná, 16 ocorreram no município. Os profissionais querem encontrar os ninhos antes que os mamíferos ataquem moradores da região. A doença é mortal.
O número do município está bem acima dos outros focos anotados no estado. Em maio, foram registradas duas mortes em Jacarezinho (região norte do Estado), enquanto que, em junho, aconteceram mais três casos em Cascavel. Nas duas cidades a situação está controlada. Em Matelândia, morreram 16 animais (12 vacas e quatro cavalos) nos últimos cinco meses.
BuscaApós uma semana de busca intensificada, geralmente à noite, eles conseguiram pegar dois exemplares, mas ambos não eram hematófagos. As capturas aconteceram na segunda-feira e quarta-feira passadas. O cerco vai continuar até a equipe conseguir um exemplar da espécie, mais conhecida como vampiro. A equipe conta com apoio de veterinários de Capitão Leônidas Marques, Foz do Iguaçu e Cascavel,
Quando for capturado, o corpo do morcego receberá uma camada de vampiricida e depois será solto, devendo retornar ao seu ninho. A expectativa é de que outros 20 a 30 mamíferos consumam o veneno, ocasionando a morte da maioria do bando, diz o médico veterinário José Luiz Stock, da Seab.
A área rural de Matelândia é composta por quase 900 propriedades. Por enquanto, foram vistoriadas 108 localidades da região periofocal. Nelas, todos as vacas, bois e cavalos foram imunizados contra a raiva. Em torno de 50 moradores que tiveram contato com os animais mortos também foram vacinados. A doença não é transmitida pela de carne do animal infectado, desde que ela seja consumida ‘‘bem passada’’.
Além do perigo à própria população, os técnicos querem evitar mais prejuízos aos pequenos produtores do município. Em média, cada um deles tem 15 cabeças de gado ou de equinos. A morte de uma vaca leiteira, por exemplo, representa perda aproximada de R$ 800, somando-se o prejuízo com o fim da produção de leite, lamenta o agropecuarista Vanderlei Antônio Casanova, 35 anos. ‘‘É muito dinheiro, por isso pedi para vacinar o rebanho’’.
ProliferaçãoO foco registrado em Matelândia é consequência, em parte, da proximidade do município com o Parque Nacional do Iguaçu. A reserva florestal facilita a proliferação de morcegos na região, acredita o chefe da seção de raiva da Seab, médico veterinário Silmar Burero. ‘‘Das quase mil espécies de morcegos existentes no mundo, apenas três são hamatófagos, sendo que uma delas existe em Matelândia’’, informa.
Segundo ele, a situação no município está ‘‘perfeitamente tranquila. Os veterinários estão fazendo um bom trabalho na região’’. No último dia 25, a equipe encontrou uma caverna em Capitão Leônidas Marques com cerca de 70 morcegos. Ela capturou 10 espécies, porém eles não eram hematófagos.

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