Produtores do Paraná insatisfeitos
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
O Plano de atendimento à cafeicultura geada, não atende as necessidades paranaenses. Assim começa o documento enviado esta semana ao Ministro da Agricultura pelo presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Wilson Baggio.
Segundo Baggio, que é produtor em Cornélio Procópio, Norte do Estado, os cafeicultores paranaenses estão decepcionados e preocupados com a aprovação dos recursos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), no último dia 11, porque não vai atender a cafeicultura geada paranaense.
O Paraná necessita de Plano Emergencial, de excepcionalidade e não convencional, que atenderá apenas a cafeicultura de outros Estados, em vista de que a geada foi praticamente paranaense. As concessões precisam ser extra-limite, diz o documento.
Excluídos O cafeicultor analisou diversos pontos que o levam a conclusão sobre a exclusão dos paranaenses aos benefícios. Primeiro, o CMN aprovou R$ 70 milhões, com prazo de carência de 2 anos, para custeio, que inclui o trabalho com podas. Só que o governo considera recepa como investimento e não custeio, e no Paraná, segundo Baggio, uma significativa parte das lavouras precisam de recepa. E o Funcafé não tem recursos para aplicar em investimento, destaca Baggio.
Segundo Baggio, em geadas anteriores, inclusive na de 1994, a cafeicultura foi contemplada com um Plano Emergencial restabelecendo plenamente a mesma. Mas este ano da forma com que foi aprovado, pelo exíguo prazo de pagamento, o Paraná ficou totalmente alijado, pois o enquadramento de apenas 2 anos para custeio é insuficiente, comenta.
No Paraná, segundo o cafeicultor, dos 136 mil hectares de lavouras de café, 75% foi prejudicado fortemente pela geada de julho, e praticamente metade desta área atingida vai precisar de recepa. A recepa não pode ser considerada como investimento, necessitando de prazo superior, para qual diz não haver dotação orçamentária, não obstante, no Plano de 1994 fora acertadamente concedido, explica Baggio.
As lideranças da cafeicultura paranaense solicitaram ao governo recursos de R$ 80 milhões para podas no Paraná e R$10 milhões para o replantio. Foram aprovados R$ 70 milhões para todo o Brasil, sendo que somente o Paraná sofreu com geadas. Os estados de Minas Gerais e São Paulo, que não reivindiaram nada e não sofreram com geadas vão ser os maiores beneficiados, comenta Baggio.
FinanciamentoOutra medida do governo que não está ajudando os produtores paranaenses é a prorrogação do financiamento para colheita. Para ser beneficiado pelo financiamento o produtor precisa ter café tipo 6, informa Baggio. E como a seca atrasou a floração e a frutificação, a geada de julho pegou boa parte de cafés verdes, quebrando volume de produção e a qualidade. O Paraná ficou novamente fora do plano. Os produtores não terão acesso a este financiamento, porque seu produto não vai alcançar a classificação tipo 6. Falta vontade política do Governo Lerner para reivindicar medidas mais justas junto ao Governo Federal, argumenta.
Segundo Baggio, a cafeicultura emprega aproximadamente 220 mil pessoas no Estado, mas parece que o governo não percebe este papel social da atividade.
Nessas condições, os cafeicultores reivindicam, com toda urgência, novo Voto ou correção do mesmo, a ser encaminhado ao CMN, contemplando as reais necessidades da cafeicultura geada paranaense: prazo máximo de 4 anos com 2 de carência, com remissão parcial, de acordo com a safra a ser colhida, para poda de recepa - pagamento de 40 % no 3º ano e 60 % no 4º ano, com juros de 9,5% a/a - com garantia de penhor de safra.


