Valorizados no mercado e cada vez mais procurados por pessoas que buscam uma alimentação saudável, os alimentos orgânicos ganham espaço no campo e abrem novas oportunidades de lucro para os pequenos produtores rurais. A atividade é ideal para os agricultores que moram na propriedade e utilizam mão-de-obra familiar.
Na região de Umuarama, pelo menos uma dezena de pequenos agricultores já está produzindo hortifrutigranjeiros orgânicos. Enfrentam dificuldades para conseguir mercado diferenciado, mas estão ganhando dinheiro e apostam na expansão da atividade.
IncentivoEste ano, a Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) e a Emater iniciaram uma campanha de divulgação para incentivar a produção e o comércio de orgânicos na região. No início de junho, a Seab realizou um encontro em Umuarama para divulgar aos agricultores os benefícios do plantio de produtos orgânicos, como forma de viabilizar economicamente as pequenas propriedades da região. Segundo dados da Emater, a região se caracteriza, em média, por propriedades de 12 hectares, que produzem somente para subsistência das famílias.
O Secretário da Agricultura, Antonio Poloni, que participou do encontro, diz que o Paraná já é referência nacional em qualidade e quantidade de produção orgânica. ‘‘Agora, quem quiser entrar na atividade tem que ser profissional e ter credibilidade para conquistar mercado’’, alerta.
Os primeiros agricultores da região que aderiram à produção de orgânicos comemoram os ganhos, mas reclamam da falta de apoio oficial, de estrutura para comercialização e da pouca valorização do produto. Nos grandes centros, muitos consumidores já aprenderam a valorizar os produtos orgânicos e a pagar mais por eles. No interior, a clientela ainda torce o nariz para as hortaliças naturais, menos atraentes que as produzidas com agrotóxicos e adubos químicos. Pioneiro na produção de hortaliças orgânicas em Umuarama, Luiz da Silva Pereira, 50 anos, não tem dificuldade para vender seus produtos, mas não consegue preços maiores por serem naturais.
Dificuldade para comercializar Como são poucos e a produção pequena, os produtores da região ainda não conseguiram se organizar para obter selos de qualidade e abastecer mercados dos grandes centros. Também não têm apoio oficial para investir na atividade.
Os donos de propriedades com mais de 5 hectares podem se beneficiar de programas de crédito do Governo. Propriedades menores dependem de aval das prefeituras. ‘‘Umuarama ainda não tem um programa de incentivo para cultivo de orgânicos em pequenas propriedades’’, diz Pereira. Ele cultiva hortaliças, café e mandioca orgânicos em sua chácara de dois hectares e meio. ‘‘Por enquanto, temos de ir abrindo caminho por nossa conta e risco’’, diz.
Pereira produz por semana, em média, 250 maços de cheiro verde, 250 maços de couve, 50 cabeças de repolho, 200 pés de alface e 50 quilos de mandioca. A produção é vendida nas feiras livres, para alguns supermercados e para cerca de 40 clientes fixos. ‘‘A procura é grande porque sabem da qualidade, mas se eu cobrar mais caro, corro o risco de não conseguir vender, principalmente nas feiras’’, conta.
Apesar de ainda não ter conseguido agregar mais valor ao seu produto, Pereira fatura R$ 500,00 líquidos por semana. Como o agricultor usa apenas produtos naturais, cultivados na chácara, e não precisa pagar mão-de-obra, o custo de produção é mínimo, o que gera uma margem de lucro para a atividade. Ele e a mulher, Geralda Rodrigues Pereira, 50 anos, dão conta do recado e o lucro gira em torno de 500%. Pereira gasta R$ 0,09 para produzir um maço de couve e vende a R$ 0,50 centavos. O maço de cheiro verde, com custo de R$ 0,03 é vendido a R$ 0,25 nas feiras e a R$ 0,30 para os supermercados.
Pereira calcula que ainda pode dobrar a produção de hortaliças e criar frangos e porcos sem precisar contratar empregados. Precisa apenas comprar um triturador para agilizar e aumentar a produção de adubo orgânico. Todos os investimentos feitos até agora na chácara foram com o lucro da produção de orgânicos.
Embora os orgânicos sejam comercializados a preços 20% maiores que os produtos convencionais, Luiz ainda não conseguiu agregar este ganho extra. O lucro é garantido pelo baixo custo de produção e a venda fácil e rápida de tudo que produz por causa da qualidade. O café ainda não é produzido em escala comercial. As 10 sacas colhidas no ano passado foram reservadas para consumo próprio. Segundo Luiz, o café orgânico custa quase o dobro do convencional. Um quilo de café comum está cotado em R$ 1,90 e o orgânico a R$ 3,20. Ele está tentando obter o registro de sanidade e um certificado de qualidade para produtos orgânicos para conquistar mercado diferenciado.
Ainda que não consiga preço para seus produtos naturais, Pereira já conseguiu transformar a pequena chácara numa propriedade produtiva e rentável com pouco investimento. Na mesma região existem 11 chácaras, todas improdutivas. Os moradores trabalham na cidade e não cultivam nada. ‘‘O município deveria orientar e incentivar esse pessoal a produzir orgânicos’’, observa Pereira.
Tendência irreversívelSegundo o chefe do escritório regional da Emater em Umuarama, Geraldo Sincero Sobrinho, a região começa a engatinhar na produção de orgânicos. ‘‘Temos todo um trabalho pela frente e vamos incentivar os produtores porque a produção ecologicamente correta e o consumo de alimentos naturais é uma tendência irreversível e uma excelente alternativa para as pequenas propriedades’’, informa.
Em Vila Alta, a Emater já desenvolve um projeto de incentivo para produção de frango orgânico, o chamado frango caipira. Poloni anunciou que o Estado vai construir em Umuarama uma Fábrica do Agricultor, onde os produtores receberam treinamento e orientação para produzir e industrializar a produção, além de criar canais de comercialização.

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