Produtores divergem sobre os benefícios do sistema
Ser ou não ser cooperado? Entre os produtores rurais, a resposta para essa questão envolve a consideração de fatores a favor ou contra o sistema. Para os adeptos das cooperativas, a associação facilita o acesso a sementes e insumos, além da garantir a venda da safra. Os críticos, porém, defendem que o produtor independente tem a vantagem de conseguir melhores preços ao vender sua produção direto para as indústrias compradoras.
Ademir José Clivati, que produz anualmente soja, milho e trigo em uma propriedade de sete alqueires em Londrina, acredita nas vantagens do cooperativismo. Associado da Valcoop, ele informou que entre os aspectos positivos dessa posição, está a facilidade em conseguir sementes e insumos. As firmas particulares sempre cobram mais caro, disse.
Outro benefício citado pelo agricultor é a certeza de ter comprador para a colheita. Para ele, essa possibilidade compensa o melhor preço obtido com a venda direta para a indústria. No caso do trigo, as cooperativas pagam o mesmo preço, disse Clivati, que costuma entregar 70% da safra de soja na Valcoop e o restante em outras empresas, para conseguir melhor remuneração.
O agricultor Otávio Mangili, também de Londrina, sempre foi independente e por enquanto, não tem intenção de se associar a qualquer cooperativa. Muitos cooperados não levam vantagem nenhuma, argumentou o produtor, que planta soja e trigo em sua propriedade de 22 alqueires.
Ele afirmou que o agricultor independente tem as mesmas facilidades que os cooperados na hora de adquirir insumos. O agrônomo da cooperativa vem até minha propriedade para oferecer defensivos, nutrientes e sementes. Quando tem lavoura plantada, eles olham para ver se precisa de algum insumo, contou.
Mangili também prefere ser independente para poder escolher de quem comprar e para quem vender. Quero ter a liberdade de decidir pelos melhores negócios, comentou, lembrando que nunca teve dificuldades para encontrar compradores. Na hora de entregar a safra, afirmou, a venda direta remunera melhor o produtor, principalmente no caso da soja. Com o trigo não tem muita variação no preço pago pelas industrias e cooperativas. Vendo para quem remunera melhor. (C.A.)





