Apesar de toda a animação das entidades e da indústria ligada ao setor avícola, os produtores divergem suas opiniões sobre a expectativa para 2014. A reportagem da FOLHA conversou com dois perfis de avicultores – um grande produtor e um menor – para saber o que eles esperam para essa nova temporada.
O avicultor de Graciosa, distrito de Paranavaí, José Luiz Favarin viu seu negócio alavancar incrivelmente num curso espaço de tempo. Em 2012, com a situação de alerta do setor, Favarin – que é fornecedor de uma grande empresa – teve queda de 6% em seu faturamento. Na época, ele possuía três aviários, com capacidade produtiva de 130 mil aves por galpão a cada ciclo de 60 dias. "Realmente o cenário não era tão favorável, os insumos estavam caros e a rentabilidade girava em torno de R$ 16 mil por galpão a cada ciclo", relembra.
Dois anos se passaram e a lucratividade por aviário cresceu incríveis 100% em sua propriedade. No ano passado, ele investiu em mais dois aviários, totalizando agora cinco, e em fevereiro deste ano atingiu a marca recorde de R$ 33,5 mil no ciclo de um galpão. "É um resultado muito bom, que está ligado a uma melhoria na produtividade e também a um reajuste de 20% na tabela de preços", explica ele.
A expectativa é tão alta para 2014 que Favarin irá investir R$ 2 milhões para a construção de mais quatro galpões.
No total, o avicultor terá nove aviários, sendo seis deles com tecnologia "dark house", que são ambientes totalmente fechados, com ventilação tipo túnel e luz artificial, controlando assim todas as variáveis ambientais dentro do galpão, inclusive de iluminação. Com essa tecnologia, os animais ficam mais tranquilos, se machucam menos, o que reduz o tempo de engorda e aumenta a produtividade. "Existe uma projeção que em 20 ou 30 anos o consumo de carne irá dobrar no mundo. Só o Brasil tem insumos e capacidade de produção para suprir essa demanda. Por isso, meus investimentos não param por aqui e em 2015 pretendo construir mais dez aviários na região", projeta o avicultor.
Já os pequenos avicultores estão mais ressabiados em relação a 2014. O produtor Thomaz Steinbrecher, que possui seis aviários e realiza o ciclo com 116 mil aves na região de Rolândia, comenta que 2013 foi um ótimo ano, recebendo por volta de R$ 0,60 por cabeça. "Em 2012, eu possuía uma garantia com um frigorífico e consegui manter as despesas, mas nada mais do que isso. Já no ano passado, consegui comercializar bem minha produção, pois o produto estava relativamente em falta no mercado", relembra.
Para esse ano, Steinbrecher diz que ficaria satisfeito se os resultados fossem similares a 2013. "Estou um pouco preocupado com essa quebra na safra de grãos e atraso do plantio do milho. O ano realmente não começou bom, tive que fazer alguns investimentos em infraestrutura com a aquisição de um gerador (R$ 42 mil) e um transformador (R$ 23 mil), e não tive o retorno que esperava. Minha rentabilidade agora caiu em torno de 30%. Espero que eu esteja errado, mas não estou muito confiante." (V.L.)

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