Produtores devem apostar no mercado regional
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Lucinéia Parra<br>De Maringá 
Produtores de hortifrutigranjeiros da região de Maringá, no Noroeste do Paraná, estão sendo estimulados a adotarem a compra de insumos e a venda da produção em conjunto como alternativa de melhorarem suas rentabilidades. Os produtores de hortaliças e frutas que enfrentam dificuldades em comercializarem seus produtos individualmente podem ser importantes fornecedores dos supermercados se apostarem no cooperativismo, vendendo em pool e tendo maior poder de barganha. E a primeira meta deverá ser o mercado regional para mais tarde apostar na exportação.
Foi esta a principal tese defendida durante o Encontro Regional da Cadeia Produtiva de Horticultura, realizado em Maringá, dentro do projeto Agropólos que vem sendo desenvolvido pelo Conselho de Desenvolvimento Municipal, com participação de representantes de diversos órgãos do setor.
Exemplo do Ceará
No Estado do Ceará, por exemplo, os produtores já colhem os frutos do projeto Agropólos que foi discutido no encontro em Maringá. No Ceará o projeto tem sido uma solução para milhares de pequenos produtores que até recentemente conviviam com a quase absoluta falta de perspectiva.
Hoje os pequenos produtores do Ceará apostam em projetos de irrigação e inspiram-se em programas de alta tecnologia adotados em várias regiões do Brasil e do exterior, especialmente em Israel. Como resultado, os pequenos agricultores estão se tornando grandes produtores de frutas que abastecem os mercados interno e externo.
De acordo com o assessor estragégico da Secretaria de Agricultura Irrigada do Ceará, Lavanery Campos Wanderley, que também participou do encontro em Maringá, os investimentos em infra-estrutura e produção renderam ao Estado, em 1998, exportações no valor de US$ 800 mil com previsão de fechar 2001 exportando US$ 16 milhões. ''É a força dos pequenos produtores agindo de forma unificada e organizada'', concluiu Wanderley.
Primeiro o mercado interno
Embora ainda continue sendo uma meta de muitos agricultores a exportação nem sempre é a primeira a alternativa a apostar, especialmente para os hortifrutigranjeiros da região de Maringá. A exigência do mercado exterior aliada às dificuldades de escoamento da produção tornam esta alternativa ainda inviável para a região.
De acordo com o engenheiro agrônomo Deo Lauro Marzola, que participou do evento em Maringá, o mercado externo não deve ser a primeira meta dos produtores. Marzola afirma que a produção de horticultura deve ser mantida por pequenos produtores com o envolvimento familiar.
''Estas culturas dependem de muitos cuidados que só o dono da propriedade e toda sua família costumam dispensar'', disse. Entretanto, alertou Marzola, a união dos pequenos produtores é fundamental para o sucesso da comercialização.
''Um produtor de uma pequena propriedade não consegue colocar seu produto para uma grande rede de supermercado porque esta exige qualidade, padronização dos produtos e preço baixo''. Além disso, destacou Marzola, tem a questão da quantidade.
Apostar no cooperativismo
Para reduzir custos e ganhar qualidade e produtividade Marzola garante que os pequenos produtores só tem um caminho: o cooperativismo. ''É a partir da união que os produtores terão condições de comprar insumos e sementes de melhor qualidade. Também poderão investir em equipamentos e consequentemente terão uma produtividade maior'', defendeu.
Os cuidados para garantir a comercialização destes produtos vão além e requerem, segundo Marzola, total organização dos produtores. Segundo ele, os pequenos produtores têm que aprender a serem ''economistas'' e fazer todas as contas sobre o custo/benefício. Só depois de ter tudo na ponta do lápis, é que os produtores deverão fazer os investimentos e seguirem as novas técnicas de cultivo e manejo. Agindo isoladamente, conforme Marzola, o pequeno produtor perde nas duas pontas: na aquisição de insumos e na venda dos produtos. ''Depois de sedimentar o processo de produção e comercialização das horticulturas no mercado interno, é que os produtores poderão pensar em exportar'', salientou.
Injeção de ânimo
Para o coordenador do projeto Agropólo na região de Maringá, Álvaro Gilmar Estevam de Araújo, a horticultura regional precisa urgentemente de uma injeção de ânimo. Segundo ele, a falta de integração entre produtores, técnicos e entre os próprios municípios são entraves ao desenvolvimento. A proposta do Agropólo, disse, é oferecer condições para modernização do campo, agregando valores aos produtos e gerando emprego e renda.
Gilmar Araújo concorda que a curto e médio prazoz é inviável se pensar em exportação, mas diz que os produtores podem vislumbrar este mercado a partir da internacionalização do Aeroporto de Maringá. ''O importante nesse momento é conscientizar os produtores que eles precisam se unir e se fortalecerem para garantir melhor comercialização dos produtos'', ponderou.


