Produtores definem safra de 2000 Apesar da tendência de crescimento nos últimos anos, safra 2000 deve ser menor em área e produção Vânia Casado De Curitiba A safra 2000 ainda está sendo definida. Produtores e usineiros estão avaliando se vale a pena investir ou não, após as recentes mudanças de mercado. Até agora o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) detectou sinais de queda tanto na área plantada como na produção de cana-de-açúcar. O levantamento realizado aponta uma redução de 2% na área plantada e 2,4% na produção. A previsão atual para a safra 2000 é de redução de área plantada, passando de 340.000 hectares ocupados no ano passado para 333.544 este ano. A produção também deve cair, de 27 milhões de toneladas para 26,4 milhões de toneladas. O economista do Deral, Dizonei Zampieri, ressalta, no entanto, que o período é de definição de plantio de áreas novas. Se esses plantios ocorrerem, o que será confirmado até o final deste mês, as previsões iniciais podem ser alteradas. Zampieri destaca que as recentes alterações no preço da gasolina podem tornar o preço do álcool atrativo novamente. Em função disso, muito usineiro ou produtor deve estar reavaliando sua posição de investir no aumento do plantio ou não, afirmou. Problemas Segundo o técnico do Deral, a descapitalização dos produtores e das empresas açucareiras abalou as finanças do setor a ponto de, provavelmente, refletir nos destinos da safra atual, como a não renovação parcial dos canaviais. A forte estiagem ocorrida no segundo semestre de 99 e uma menor utilização de insumos, também vão acarretar uma perda de produtividade, acredita. A produção de açúcar no Paraná teve crescimento de 9,5% no ano passado, confirmando a tendência de aumento da atividade nos últimos anos. Conforme levantamento concluído pelo Deral, a produção avançou de 1,26 milhão de toneladas em 98 para 1,38 milhão de toneladas em 99. Apesar do aumento da produção de açúcar, o desempenho do setor sucroalcooleiro não foi satisfatório em função da queda do preço internacional do açúcar e da baixa expressiva no preço do álcool e acúmulo de estoques que abriram uma crise de descapitalização para os usineiros. O resultado foi uma queda de 2,27% na atividade de esmagamento da cana-de-açúcar e 1,9% na produção de álcool. Produção No ano passado o parque industrial representado por 28 empresas foi responsável pelo esmagamento de 23,9 milhões de toneladas, 1,02 bilhão de litros de álcool, 1,381 milhão de toneladas de açúcar e 1 milhão de toneladas de exportação do açúcar. No segmento do álcool, a recomposição dos preços para o patamar de R$0,41 o litro permitiu a redução dos estoques para 1,4 bilhão de litros, o que equivale a um mês de consumo no Brasil. A redução nos estoques foi fator importante para a recomposição dos preços, lembra Zampieri. Ele aponta ainda como fatores de estímulo aos produtores o lento aumento das vendas de veículos à álcool que avançaram de 1.224 unidades vendidas em 98 para 10.940 unidades vendidas no ano passado. Para 2000 a projeção é vender 12.000 unidades de carros a álcool. O estudo do Deral revela que a manutenção do preço do álcool entre R$0,50 e R$0,70 o litro nos últimos 24 meses proporcionou uma elevação de 793% na comercialização de veículos movidos a álcool no ano passado. Zampieri lembra que se os preços do álcool se mantiverem em torno de 60% em relação ao preço da gasolina, a opção pelo carro a álcool tende a aumentar nos próximos anos.